Em 2024, a taxa de sub-registro de nascidos vivos no estado de Pernambuco foi estimada em 1,16%. Isso significa que, a cada 100 bebês nascidos, um não é observado nas coletas dos cartórios de Registro Civil de Pessoas Naturais (RCPN) nem nos sistemas de Informações sobre Nascidos Vivos do Ministério da Saúde. Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também apontam que a taxa média geral de subnotificação de nascimentos (ocorre quando o nascimento de uma criança não é oficializado em cartório no mesmo ano ou no primeiro trimestre do ano seguinte) no estado foi de 0,5%. Já em relação aos falecimentos de 2024, Pernambuco alcançou 3,26% de sub-registro e 1,27% de subnotificação.
Para compreender o levantamento, é preciso diferenciar os dois conceitos: o sub-registro refere-se aos eventos vitais que não foram registrados em cartórios, enquanto a subnotificação abrange os eventos que não foram inseridos nos sistemas do Ministério da Saúde, alimentados por estabelecimentos e serviços médicos. Ao analisar a desagregação municipal pernambucana, a cidade de Santa Maria do Cambucá chamou a atenção por registrar uma taxa estimada de subnotificação de nascimentos de 13,36%. Esse percentual é um dos mais altos do Brasil, colocando o município na sétima posição do ranking nacional para esse indicador.
O cenário pernambucano insere-se em uma realidade nacional de acentuada disparidade, na qual as regiões Norte e Nordeste concentram as taxas mais elevadas de sub-registro, contrapondo-se claramente às regiões Sul e Sudeste, que detêm os menores índices. Essa mesma desigualdade regional se mantém em relação ao sub-registro e à subnotificação de óbitos. Contudo, no que diz respeito à subnotificação de nascimentos, o padrão espacial apresenta uma dispersão territorial maior. Municípios com taxas elevadas distribuem-se de maneira mais heterogênea pelo país, o que sugere que os determinantes para as falhas no sistema de saúde diferem das causas associadas à falta de registro em cartório, não seguindo estritamente a tradicional divisão regional brasileira.


