Feminicídios: Centro Clarice Lispector oferece suporte para mulheres vítimas de violência

Entenda como funciona o serviço que está disponível em oitos espaços preparados para o acolhimento

Apenas em 2025, quase 900 mulheres já passaram pelo Centro de Referência Clarice Lispector, um espaço oferecido pela prefeitura do Recife para acolher vítimas de violência doméstica. São centenas de histórias diferentes, mas com algo em comum: todas marcadas pela violência. E é naquele espaço que essas mulheres podem ser acolhidas e incentivadas a tomarem, ou melhor, retomarem as rédeas das próprias vidas.

Rodolfo Loepert/Prefeitura do Recife

Mesmo com quase 25 anos de história, é comum que muitas mulheres nunca tenham ouvido falar no Clarice Lispector. Numa visita à unidade localizada no bairro de Santo Amaro, a gestora do centro, Rayane Oliveira contou à reportagem da CBN Recife que muitas mulheres chegam ao local cheias de dúvidas e, principalmente, com medo.

Feminicídios: Centro Clarice Lispector oferece suporte para mulheres vítimas de violência – Letícia Rodrigues by CBN Recife
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“O que acontece muito é a mulher vir, ela entender que sofre violência, mas ela não achar que é algo tão grave, porque a gente acaba naturalizando muita coisa. Aos poucos ela vai conversando com a equipe e vai percebendo. Ela vê que tem algo errado no relacionamento, só que ela não sabe nomear como violência, mas ela sente que é algo que machuca, que dói, que é algo que perturba o desenvolvimento dela”, conta a gestora.

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Pedir ajuda não é um passo fácil de se dar. No centro, o acesso aos atendimentos sociais, psicológicos e jurídicos é simples e direto. “A gente recebe a mulher, ela pode vir espontaneamente ou encaminhada por algum serviço. E ela não precisa ter boletim de ocorrência para ser atendida pela gente. A princípio, ela conversa com a assistente social e vê quais são as questões que envolvem a situação de violência”.

Vale destacar que os serviços estão à disposição de todas as recifenses. Os atendimentos são pensados para auxiliar especificamente às vulnerabilidades e o contexto social de cada vítima. “Porque, na verdade, o risco é social em todos os casos. Toda essa vulnerabilidade pode afetar a maneira como a mulher vai enfrentar a violência física”, explica Rayane Oliveira.

Rodolfo Loepert/Prefeitura do Recife

Um exemplo recorrente é quando a mulher é mãe e resiste em buscar ajuda por não saber o que fazer em relação aos filhos. Em casos como esses, além de oferecer um espaço preparado para crianças com brinquedos, berços e cuidadoras, as profissionais do centro também fornecem orientações e apoio jurídico necessários.

Rodolfo Loepert/Prefeitura do Recife

O Centro Clarice Lispector funciona gratuitamente em três unidades localizadas nos bairros de Santo Amaro, no centro; de Areias, na Zona Sul; e Casa Amarela na Zona Norte, além das salas de atendimento descentralizadas nos Centros Comunitários da Paz (Compaz) Ariano Suassuna, Eduardo Campos, Dom Hélder Câmara, Professor Paulo Freire e Atriz Leda Alves. Mulheres vítimas de violência também podem pedir ajuda pelo WhatsApp 24h (81) 99488-6138 e pelo Liga Mulher através do telefone 0800 281 0107.

Para mulheres que sequer identificaram que estão vivendo uma situação de violência, a Prefeitura do Recife também disponibiliza a ferramenta ClarIA. Na prática, a tecnologia é uma aliada dos serviços de saúde identificando indícios de que a paciente seja vítima de violência doméstica, ainda que ela não tenha tido coragem de confidenciar ao profissional que conduz o atendimento. Um alerta, em diferentes níveis, é lançado ao Prontuário Eletrônico das Unidades Básicas de Saúde, e em paralelo, a mulher é direcionada a um acompanhamento especializado e individual.

Os serviços estão de portas abertas para que a violência contra mulher deixe de ser uma realidade silenciosa dentro de tantas residências e, consequentemente, na sociedade. Com a recorrência de casos de feminicídio tão presentes no cotidiano dos pernambucanos, o enfrentamento precisa ser permanente, com políticas que acolham, orientem e fortaleçam essas mulheres no processo de recomeço, mas também no direito à vida.

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