Pernambuco se consolidou entre os sete estados brasileiros com maior número de adoções realizadas em 2025 e ocupa a liderança no Nordeste nesse cenário. Ao longo do ano, foram efetivadas 216 adoções no estado, de um total de 4.971 registradas em todo o país. O resultado reflete o fortalecimento das políticas públicas voltadas à proteção da infância e juventude, além da atuação integrada do sistema de Justiça e da rede de acolhimento para assegurar o direito de crianças e adolescentes à convivência familiar.
Dados atualizados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mostram que o Brasil conta atualmente com 32.060 pretendentes habilitados à adoção, enquanto 6.234 crianças e adolescentes estão aptos a integrar uma nova família. Apesar de o número de interessados ser significativamente superior ao de crianças disponíveis, ainda existem desafios relacionados ao perfil buscado pelos adotantes, especialmente quanto à preferência por crianças mais novas e à resistência em relação à adoção de adolescentes, grupos de irmãos ou crianças com necessidades específicas de saúde.
O levantamento nacional aponta que a maioria dos pretendentes deseja adotar crianças na primeira infância. A faixa etária de 2 a 4 anos concentra o maior número de interessados, seguida pelas crianças de 4 a 6 anos e pelos menores de até 2 anos. A procura diminui gradualmente entre crianças mais velhas e cai drasticamente quando se trata de adolescentes, sobretudo acima dos 12 anos.
Essa realidade contrasta com o perfil predominante das crianças e adolescentes disponíveis para adoção no país, já que grande parte está justamente nas faixas etárias menos procuradas. Jovens entre 12 e 18 anos representam a maioria dos acolhidos aptos à adoção, evidenciando um descompasso entre a expectativa dos pretendentes e a realidade das instituições de acolhimento.
Em Pernambuco, o cenário acompanha a tendência nacional. O maior interesse dos candidatos habilitados está voltado às crianças entre 2 e 6 anos, enquanto a procura por adolescentes permanece extremamente reduzida. O estado enfrenta, assim, o desafio de ampliar campanhas de conscientização sobre a adoção tardia e estimular o acolhimento de jovens que aguardam por uma família.
Para enfrentar essa realidade, o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) vem desenvolvendo ações de busca ativa e projetos voltados à valorização da convivência familiar. Entre as iniciativas de maior repercussão está a campanha “Adote um Pequeno Torcedor”, criada em 2015, que aproximou a sociedade da realidade de crianças acolhidas por meio de ações em parceria com o Sport Club do Recife. A proposta ganhou destaque nacional e inspirou campanhas semelhantes em outros estados.
Atualmente, o trabalho é desenvolvido por meio da Busca Ativa, coordenada pela Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja), que utiliza as redes sociais para apresentar histórias e perfis de crianças e adolescentes aptos à adoção. A iniciativa já contribuiu para cerca de 400 adoções e tornou-se referência nacional na área.
Outra ação de destaque é o Programa Famílias Solidárias, criado para preservar vínculos afetivos entre irmãos acolhidos institucionalmente, mesmo quando a adoção conjunta não é possível. O projeto permite que crianças sejam adotadas por famílias diferentes sem perder o contato com os irmãos, fortalecendo os laços familiares e emocionais.
Além das iniciativas de acolhimento, o TJPE também atua na orientação dos pretendentes à adoção. O processo de habilitação é gratuito e não exige advogado. Os interessados devem realizar cadastro no Sistema Nacional de Adoção, participar de cursos preparatórios e cumprir as etapas definidas pelas varas da infância até a inclusão no cadastro nacional de adotantes.


