Silêncio que Adoece: Pernambuco deve registrar 650 novos casos de câncer de cavidade oral por ano até 2028, segundo Inca

Primeiro episódio de série de reportagens da CBN Recife aponta que negligência com pequenas feridas acendem um alerta para o diagnóstico precoce
Série "Silêncio que Adoece" – Maria Luna
CBN Recife
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Uma ferida na boca que não cicatriza. Uma mancha que teima em não sumir. Sintomas que até podem parecer bobos, mas escondem o quinto tumor mais frequente entre os homens no Brasil. O Instituto Nacional de Câncer (INCA), acende o alerta máximo: o país deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028. Em Pernambuco, a estimativa é de 650 novos casos de câncer de cavidade oral a cada ano.

João Francisco, de 60 anos, faz parte dessa estatística. Ele percebeu que havia algo errado após morder a língua e sair sangue. No entanto, na época, ele não deu tanta atenção. Apenas depois de 3 meses, quando a ferida se transformou em um caroço, foi que ele sentiu a necessidade de procurar ajuda médica. Ele conta como foi receber o diagnóstico da doença. “Assim que o médico chegou pra mim, eu falei “Olha doutor, se for câncer pode dizer a mim, pode falar a verdade. Não minta pra mim não. O que tiver que ser será. Eu não entrei em desespero, nem perdi a linha não. Fico dentro de casa normal, com os meus amigos. Agora tem amigos que se afastam por causa da doença”, relata.

Seu João mora no Agreste pernambucano. Para fazer o tratamento do tumor, ele percorre, em média, 70 km para chegar ao Hospital de Câncer de Pernambuco (HCP), no Recife. Para ele, as dores são um incômodo constante durante a noite. “Porque para comer, passa a comida no liquidificador e eu uso o canudo. Mas para dormir, dói muito a noite, eu tenho que tomar dipirona. Toda noite eu tomo dipirona, porque fica latejando. Principalmente quando está chovendo. Mas à noite é que ataca mais. De dia não ataca nada”, explica.

Mas o caso de seu João não é isolado. Neste mês de conscientização e luta contra o câncer bucal, que caminha junto ao Dia Mundial Sem Tabaco, especialistas reforçam que o cigarro continua sendo o principal vilão, ao lado do consumo excessivo de álcool e da falta de cuidados com a saúde bucal. A cirurgiã de cabeça e pescoço do Hospital de Câncer de Pernambuco, Luciana Arcoverde, explica que o diagnóstico tardio muda completamente as chances de cura do paciente. “O tratamento é semelhante, está nos pacientes que têm a doença relacionada com cigarro e com álcool ou com HPV, que na grande maioria dos casos do câncer de boca, o ideal é o tratamento cirúrgico. Então, a gente tenta orientar a população e os pacientes para que cheguem com doenças em estágios mais iniciais, quando a doença vai ser tratável cirurgicamente com menos morbidade para os pacientes”, aponta.

Diagnosticar cedo o câncer de boca salva vidas e ajuda a evitar sequelas graves na fala e na mastigação. Mas por que a maioria dos pacientes ainda descobre a doença tarde demais? No segundo episódio da série Silêncio que Adoece, vamos conhecer a rotina de quem enfrenta as marcas do tratamento e segue numa constante luta pela vida.

Com edição de Daniele Monteiro e sonorização de Lucas Barbosa, reportagem Maria Luna.

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