Operação “Sinapse” desmonta esquema de monitoramento clandestino em comunidades do Recife

Grupo criminoso utilizava câmeras ilegais para vigiar moradores, acompanhar ações policiais e controlar territórios na Zona Oeste da capital

A Polícia Civil de Pernambuco deflagrou, na manhã desta quinta-feira (28), a Operação “Sinapse”, que teve como alvo uma organização criminosa responsável por instalar câmeras clandestinas em comunidades da Zona Oeste do Recife para monitorar moradores, rivais e forças de segurança.

Durante a ação, os policiais cumpriram seis mandados de prisão e 14 mandados de busca e apreensão domiciliar. Além disso, equipamentos de internet e câmeras instaladas irregularmente em postes e vias públicas foram retirados pelas equipes.

Segundo o delegado Vitor Freitas, gestor do Departamento de Repressão ao Narcotráfico (Denarc), as investigações começaram no início de 2025 e identificaram que o principal foco da organização era o tráfico de drogas, especialmente cocaína e entorpecentes sintéticos de alto valor comercial.

De acordo com a Polícia Civil, as câmeras eram posicionadas em pontos estratégicos para garantir o controle territorial do grupo criminoso. Os equipamentos permitiam acompanhar a movimentação de moradores, identificar possíveis invasões de facções rivais e monitorar a chegada das forças policiais.

Ainda segundo o delegado, o esquema afetava diretamente a rotina da população, que vivia sob vigilância constante nas comunidades dominadas pela organização.

Após o cumprimento dos mandados, a polícia iniciou uma segunda etapa da operação para remover os equipamentos clandestinos instalados nas localidades. A ação, realizada também na quarta-feira (27), teve como objetivo recuperar áreas que estavam sob influência do crime organizado.

As investigações apontam que o grupo atuava principalmente nos bairros de Areias, Barro e regiões vizinhas, onde também controlava ilegalmente serviços de internet. Conforme a polícia, provedores regulares eram expulsos das comunidades e tinham seus equipamentos destruídos para que apenas a estrutura operada pela organização permanecesse ativa.

Técnicos das empresas legalizadas também eram ameaçados por homens armados sempre que tentavam reinstalar os serviços nas áreas dominadas pelo grupo.

Além do tráfico de drogas, os investigados também são suspeitos de envolvimento com lavagem de dinheiro, extorsão, ameaças e organização criminosa. Segundo a Polícia Civil, o esquema movimentava grandes quantias financeiras em curto período.

O principal alvo da operação também possui ligação com investigações relacionadas a homicídios. Paralelamente, a polícia conduz uma apuração financeira para rastrear os recursos obtidos por meio das atividades ilícitas.

Dos seis mandados de prisão expedidos pela Justiça, um dos investigados já estava preso no presídio de Igarassu. Os outros cinco foram capturados durante a operação, sendo três no Recife e dois em Lagoa do Carro, na Mata Norte de Pernambuco. Entre os presos estão o líder da organização e a companheira dele, apontada como responsável pela movimentação financeira do grupo.

Durante as buscas, os policiais apreenderam celulares, computadores, documentos, cadernos de anotações, DVRs e uma arma de fogo. O material recolhido deve contribuir para o aprofundamento das investigações financeiras.

A Polícia Civil também informou que irá analisar se os DVRs apreendidos pertenciam às câmeras retiradas das ruas. As investigações apontam ainda que o grupo utilizava empresas de fachada para ocultar a origem do dinheiro obtido com o tráfico.

Um escritório de advocacia também foi alvo de mandado de busca e apreensão. Segundo os investigadores, um dos suspeitos exercia a função de “operador jurídico” da organização criminosa. As diligências ocorreram com acompanhamento de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

A operação contou ainda com apoio da Polícia Militar e de empresas privadas dos setores de energia e internet.

Segundo o delegado Vitor Freitas, moradores das comunidades demonstraram apoio às ações policiais durante a retirada dos equipamentos clandestinos. A Polícia Civil informou que as investigações continuam e novas fases da operação devem ser realizadas para identificar e prender outros integrantes do grupo criminoso.

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