Por Guilherme Camilo
A insistência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reenviar o nome de Jorge Messias ao STF transforma uma derrota histórica em uma aposta política ainda mais arriscada. Pela primeira vez em mais de um século, o Senado rejeitou um indicado ao Supremo e o gesto foi lido muito mais como um recado político ao Planalto do que uma avaliação técnica sobre a capacidade do advogado-geral da União. Ao reafirmar a indicação, Lula tenta defender a prerrogativa presidencial, mas também dobra a aposta em um cenário onde o desgaste pode ser ainda maior.
O movimento chama atenção porque Lula perde a oportunidade de arejar a composição do STF e fazer um gesto simbólico importante ao país. O Supremo já teve figuras que representaram avanços na diversidade, seja pela presença feminina, como Carmem Lúcia, Rosa Weber, Ellen Gracie; ou negra, como Joaquim Barbosa, Pedro Lessa, Hermenegildo de Barros e Flávio Dino, esse último em atividade, algo constantemente cobrado por setores da sociedade. Em vez disso, o presidente insiste em um nome já derrotado, ignorando que a pressão popular e política, hoje, tem peso direto nas decisões de Brasília. O próprio debate sobre o fim da escala 6×1 mostrou isso: o Congresso percebeu rapidamente o clamor popular e se movimentou para não ficar contra a opinião pública.
Ao insistir em Messias, Lula também coloca em xeque a resistência do próprio indicado. A primeira derrota já deixou marcas políticas e pessoais. Uma segunda rejeição pode transformar um advogado respeitado em símbolo de fragilidade política dentro do governo.
FIM DO CICLO – E falando em indicação ao STF, o senador Rodrigo Pacheco, nome defendido pelo colega e presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, anunciou que não disputará o Governo de Minas e que pretende encerrar sua trajetória política. Pacheco era um dos nomes que Lula queria ver disputando o executivo de Minas Gerais, portanto a decisão chega como frustração para o petista.
ESTRATÉGIA – Vendo que os holofotes estão todos direcionados e o sinal está verde, o ex-presidente Jair Bolsonaro orientou Flávio Bolsonaro a explorar politicamente a decisão dos EUA de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. A avaliação do grupo é que a pauta da segurança pode recolocar o bolsonarismo em terreno favorável após desgastes recentes da pré-campanha, como os áudios de Flávio para Daniel Vorcaro.
FRASE DO DIA: “Vamos construir coisas boas, porque um ciclo de prosperidade não deve se encerrar com um mandato só”, afirmou Raquel Lyra.
RÁPIDAS
PONTO DE ENCONTRO – O Programa Ponto de Encontro deste domingo (31), traz um bate-papo com o secretário da Casa Civil de Pernambuco, Túlio Vilaça. O novo episódio vai ao ar às 12h.
NA TERRA DO FORRÓ – Já no clima, a governadora Raquel Lyra volta a sua terra para participar da abertura do São João de Caruaru 2026, marcado para este sábado (30).
PÉ NO SERTÃO – De olho em ampliar sua presença no interior, o pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos, intensifica a agenda pelo Sertão. Após cumprir compromissos em Serra Talhada nesta sexta-feira, o socialista segue para Salgueiro no fim de semana, mantendo o ritmo de articulações e aproximação com lideranças e eleitores da região.
SOBERANIA – Lula criticou a decisão dos EUA de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas e cobrou respeito à soberania brasileira, não aceitando qualquer possibilidade de intervenção estrangeira.
HOMENAGEM – A Câmara do Recife concedeu o Título de Cidadão do Recife ao ministro do TST Guilherme Augusto Caputo Bastos em solenidade nesta sexta-feira com a presença do prefeito Victor Marques, vereadores e representantes do Judiciário e da OAB-PE.
PINGA-FOGO: Uma nova derrota de Messias enfraquece Lula diante do Congresso?


