Coluna da quarta | Os desafios de Raquel

A governadora Raquel Lyra entra em uma fase decisiva da pré-campanha cercada por desafios políticos que exigirão habilidade, paciência e capacidade de articulação. O primeiro deles está dentro de casa: a construção da chapa majoritária. A Federação União Progressista virou um dos principais nós da equação. De um lado, o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, […]
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A governadora Raquel Lyra entra em uma fase decisiva da pré-campanha cercada por desafios políticos que exigirão habilidade, paciência e capacidade de articulação. O primeiro deles está dentro de casa: a construção da chapa majoritária.

A Federação União Progressista virou um dos principais nós da equação. De um lado, o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, que conta com evidente simpatia da governadora e teve essa preferência reforçada durante entrevista à CNN Brasil e também nas conversas de bastidores. Do outro, o deputado federal Eduardo da Fonte, presidente da federação em Pernambuco, que já sinalizou claramente que deseja ocupar ele próprio a vaga ao Senado e tem o comando do grupo.

Raquel terá a missão de equalizar essa disputa sem provocar fissuras em um dos grupos mais importantes da sua base. Não se trata apenas de escolher um nome, mas de preservar alianças e evitar que o processo deixe sequelas para a campanha.

O segundo desafio é justamente administrar o tempo dessa definição. A governadora reafirmou que a composição da chapa será anunciada apenas no prazo das convenções. A estratégia é compreensível. Ganhar tempo permite observar movimentos, pesquisas e acomodações partidárias. Mas, à medida que a eleição se aproxima, a pressão por definições também aumenta.

O terceiro e talvez mais complexo desafio envolve a disputa presidencial. A cobrança sobre qual será a posição de Raquel em relação ao presidente Lula tende a crescer ao longo dos próximos meses. João Campos deve apostar na nacionalização do debate, buscando associar sua candidatura ao projeto petista e explorando a proximidade com o presidente.

Nesse cenário, Raquel precisará definir qual caminho seguirá. Declarar apoio formal a Lula, repetir a neutralidade adotada em 2022 ou construir uma solução intermediária, com posicionamento pessoal e liberdade para aliados. Cada alternativa traz ganhos e riscos.

O dilema é evidente. Uma aproximação mais clara com Lula pode gerar desconforto em parte do eleitorado conservador e bolsonarista que hoje gravita em torno da governadora. Por outro lado, uma posição excessivamente distante do presidente pode dificultar a relação com setores que reconhecem a parceria institucional entre Pernambuco e o governo federal.

Por enquanto, Raquel ganha tempo. Mas a campanha se aproxima e, mais cedo ou mais tarde, essas respostas precisarão ser dadas. Afinal, tão importante quanto construir uma chapa competitiva será apresentar ao eleitor um posicionamento político claro sobre o cenário nacional.

NOVA REUNIÃO – O senador Humberto Costa teve novo encontro com o presidente Lula. Embora a agenda oficial tenha destacado pautas em tramitação no Senado, interlocutores do PT afirmam que a conversa também passou pelo cenário eleitoral de Pernambuco. A reunião aconteceu um dia depois das falas divergentes da tese do palanque duplo no estado.

COBROU A FATURA  – A reação do PT às declarações do ministro Wellington Dias sobre a possibilidade de dois palanques de Lula em Pernambuco não aconteceu por acaso. Segundo revelou o jornal O Globo, o ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo do Estado, João Campos, atuou diretamente junto à direção nacional petista para que houvesse um posicionamento público sobre o tema. João usou seu peso político como presidente nacional do PSB e principal aliado do PT entre os partidos de centro-esquerda. A resposta veio rapidamente, com dirigentes petistas reforçando que o palanque prioritário de Lula em Pernambuco será o da aliança com o PSB.

FRASE DO DIA: “O prazo é o calendário eleitoral, mas não terá surpresas”, disse a governadora Raquel Lyra, sobre o anúncio da chapa. 

RÁPIDAS

PULE DE DEZ – O deputado estadual João de Nadegi vem ampliando sua atuação política e fortalecendo sua base eleitoral. Chama atenção o volume de adesões que o parlamentar tem recebido, especialmente entre lideranças ligadas aos partidos da federação formada por PT, PCdoB e PV. O movimento é visto por aliados como um sinal da consolidação do seu projeto de reeleição.

ANIMAÇÃO – Em conversa com a coluna, o prefeito de Vitória de Santo Antão, Paulo Roberto, demonstrou muita animação com os projetos do seu grupo político. O gestor acredita na reeleição da deputada federal Iza Arruda e também está otimista com a pré-candidatura de Túlio Arruda à Assembleia Legislativa.

PINGA-FOGO: O que será Lula disse a Humberto Costa sobre Pernambuco?

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