Pernambuco e o Brasil se despedem de um de seus maiores patrimônios culturais. O escritor, jornalista e colunista Raimundo Carrero faleceu na madrugada desta terça-feira (16), aos 78 anos, no Recife, em decorrência de um câncer. O velório será realizado na Academia Pernambucana de Letras (APL), instituição onde ele ocupava a cadeira de número 3.
Reconhecido como uma das vozes mais potentes e importantes de sua geração, Carrero foi um dos pilares do Movimento Armorial, idealizado por Ariano Suassuna na década de 1970. Sua vasta e premiada trajetória literária inclui clássicos como seu romance de estreia, “A História de Bernarda Soledade: A Tigre do Sertão” (1975), além de obras influentes como “Sinfonia para Vagabundos” e “O Senhor Agora Vai Mudar de Corpo”, que formaram e inspiraram gerações de novos escritores.
A história de Carrero também se confunde com o jornalismo. Ele iniciou sua carreira no Diario de Pernambuco em 1969, onde começou como estagiário, atuou como crítico literário e, anos mais tarde, assumiu o cargo de editor-chefe. Foi também a partir de sua sensibilidade jornalística que nasceu uma das lendas urbanas mais famosas do Recife: ao ouvir o relato de uma mulher em 1975, o autor ajudou a popularizar o mito da “Perna Cabeluda”, que recentemente inspirou o filme ‘O Agente Secreto’.
Em nota emocionante, a família agradeceu o carinho de amigos, leitores e admiradores: “Raimundo dedicou-se à literatura com paixão, sensibilidade e compromisso, construindo uma obra que marcou gerações”. Nossos sentimentos aos familiares, amigos e à cultura pernambucana por essa perda irreparável.


