Fogueiras juninas exigem cuidados com crianças que têm problemas respiratórios

Exposição à fumaça pode agravar doenças pulmonares e aumentar a procura por atendimento de urgência

Muito presentes nas comemorações juninas, as fogueiras fazem parte da tradição em diversas cidades pernambucanas. No entanto, para crianças que convivem com doenças respiratórias, a fumaça gerada pela queima da madeira pode representar um fator de risco importante à saúde. Além de provocar irritação nas vias aéreas, a exposição pode desencadear crises respiratórias e, em alguns casos, exigir atendimento médico de emergência.

De acordo com o pneumopediatra Rafael Aureliano, do Hospital da Criança do Recife (HCR) Antonio Carlos Figueira, a fumaça contém partículas que conseguem alcançar regiões mais profundas do sistema respiratório, causando desconforto e agravando condições já existentes.

Segundo o especialista, crianças com asma e outras doenças pulmonares podem apresentar sintomas como falta de ar, cansaço, tosse e chiado no peito após contato com a fumaça. Dependendo da intensidade da exposição, pode ser necessário utilizar medicação de resgate ou até buscar assistência médica urgente.

O médico ressalta que pacientes com doenças respiratórias crônicas tendem a ser mais vulneráveis aos efeitos da fumaça. Entre os grupos que merecem atenção especial estão crianças com asma, fibrose cística, bronquiolite obliterante, hipertensão pulmonar, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), além de pessoas com imunodeficiências associadas a comprometimentos pulmonares.

Os responsáveis devem ficar atentos a sinais como tosse persistente, respiração acelerada, chiado no peito e cansaço excessivo. Em situações mais graves, a criança pode demonstrar dificuldade para respirar, com esforço visível na movimentação das costelas e da musculatura do pescoço.

Para reduzir os riscos durante os festejos, a orientação é evitar ambientes com grande concentração de fumaça e limitar o tempo de exposição. Também é fundamental manter os cuidados já recomendados pelo pediatra, como a lavagem nasal, o uso correto das medicações de rotina e o cumprimento do plano de ação estabelecido para eventuais crises respiratórias.

Caso os sintomas se agravem ou não apresentem melhora após as medidas indicadas pelo médico, a recomendação é procurar rapidamente um serviço de urgência, como UPAs, policlínicas ou hospitais com pronto-atendimento.

Mais Lidas