2026… Ano de eleição. É quando se revela o lado mais triste da sociedade. A tradição se repete: menos gente à mesa no Natal e a cor da sua camisa define a qual país você pertence.
Este ano, os acertos do governo atual serão glorificados e os erros, excomungados, tal qual ocorre com os fiéis após infrações doutrinais.
Em 2026, assim como em todos os períodos eleitorais, sua mão dominante será de grande importância para dar continuidade a alguns relacionamentos. Se é certo ou errado? Pouco importa, contanto que você diga algo que agrada.
Acordos são selados e interesses negociados, enquanto o povo continuará gemendo em agonia por causa de mentiras e mais promessas vazias.
Verde, vermelho ou branco, pouco importa.
Se pensa, corrige ou volta, um bom filho à casa torna, e apenas um grupo continuará no comando.
Tá tudo bem: tem Copa no meio do ano e, se tudo der certo, o hexa vem, tal qual na antiga Roma, onde decisões importantes eram tomadas enquanto multidões gritavam em arquibancadas. Com os olhos fechados e corações ferventes, será mostrado tudo aquilo que se permite.
Temos futebol, política e religião no mesmo ano e não, não são assuntos independentes em tempos como este. O lado que você escolhe sobre qualquer um desses temas necessariamente irá impor que tipo de pessoa você é.
“Ordem e Progresso” não será o lema do país durante alguns meses, e a cruz deixará de ser o centro de muitas orações. No lugar, escolhas serão feitas, mas não por convicção, mas por conveniência.
Um país lindo, onde tudo é perfeito: essa é a imagem passada para os estrangeiros.
Aqui, ninguém corre atrás do outro com uma arma na mão por acreditar sair impune, porque a justiça funciona;
Aqui, rodovias não são fechadas para impedir voto, porque a justiça funciona.
Estamos em 2026. Ano de mudança, renovação e esperança.
Se nada der certo, o espetáculo de junho e julho já está garantido.
Paulo Rafael é escritor do livro: O Coração e o Tinteiro


