A aprovação do acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul pelo Conselho Europeu, em 9 de janeiro de 2026, marca um novo estágio na relação econômica entre os dois blocos. A assinatura formal está prevista para 17 de janeiro, no Paraguai, e o tratado criará a maior área de livre-comércio do mundo, abrangendo cerca de 780 milhões de pessoas e aproximadamente um quarto do Produto Interno Bruto global.
Pelo acordo, o Mercosul eliminará tarifas sobre 91% das exportações da União Europeia, incluindo automóveis, máquinas, químicos e produtos farmacêuticos, em prazos que podem chegar a 15 anos. Em contrapartida, a União Europeia eliminará tarifas sobre 92% das exportações do Mercosul, com transição de até dez anos, o que amplia o acesso de produtos agrícolas e industriais sul-americanos ao mercado europeu.
No segmento agropecuário, a União Europeia zerará tarifas para 77% dos produtos importados do Mercosul. Para itens considerados sensíveis, como carne bovina, foram criadas cotas ampliadas, incluindo 99 mil toneladas adicionais. Já o Mercosul concederá à UE uma quota de 30 mil toneladas de queijos com isenção tarifária. Produtos como açúcar, etanol e sucos, em especial o NFC (suco de laranja não concentrado), terão redução tarifária progressiva até a isenção total em até quatro anos.
Para Pernambuco, o acordo dialoga com a atual pauta de comércio exterior do Estado. As exportações pernambucanas para a União Europeia concentram-se em mangas, uvas, derivados de petróleo (outras naftas e óleo combustível), açúcares de cana e frutas cítricas, como o limão. Apenas em 2025, Pernambuco exportou US$ 144,9 milhões para União Europeia, 7,9% a mais quando comparado com o ano de 2024.
A eliminação de tarifas e a ampliação de cotas aumentam a previsibilidade e reduzem custos de acesso ao mercado europeu, o que tende a favorecer cadeias tradicionais da economia estadual, como fruticultura irrigada, setor sucroenergético e logística portuária. Do lado das importações, Pernambuco compra da União Europeia, sobretudo, combustíveis (gasolinas, óleo diesel e querosene de aviação), motores diesel e partes e acessórios para tratores e veículos automotores. A redução tarifária nesses itens tende a impactar positivamente os custos de transporte, energia e operação de segmentos produtivos e do comércio.
Em termos macroeconômicos, a Comissão Europeia estima que o acordo gere economia anual próxima de 4 bilhões de euros em tarifas para empresas europeias, ao mesmo tempo em que amplia a inserção internacional do Mercosul em cadeias globais de produção. Para o setor de comércio e serviços, o tratado também contempla regras para investimentos, compras governamentais e prestação de serviços, o que contribui para um ambiente de negócios mais previsível.
Para a Fecomércio-PE, o acordo ajuda à internacionalização das empresas pernambucanas, sobretudo de médias e grandes firmas do agronegócio, da indústria de alimentos e da logística. O novo marco comercial tem capacidade a ampliar a concorrência interna, ao mesmo tempo em que cria oportunidades de inserção externa para empresas que já operam com padrões sanitários, ambientais e de qualidade exigidos pelo mercado europeu.


