O conselheiro distrital de Fernando de Noronha, Ailton Araújo Júnior, foi denunciado pela Polícia Civil sob suspeita de ter cometido agressões físicas e feito ameaças contra a própria esposa. O episódio teria ocorrido na ilha e, após a conclusão do inquérito policial, o caso passou a ser analisado pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e encaminhado à Justiça. O conselheiro afirma que não cometeu as agressões.
Procurada pela reportagem, a vítima não se pronunciou até a publicação desta matéria. Conforme consta no inquérito, o fato teria acontecido na madrugada do dia 26 de novembro, na residência do casal, situada na Vila da Vacaria. As investigações indicam que, após uma discussão motivada por ciúmes, Ailton Júnior teria agredido a esposa e feito ameaças de violência física.
O conselheiro confirmou que existe um inquérito policial e que houve um desentendimento entre o casal, porém negou qualquer ato de agressão. A Lei Maria da Penha, em vigor desde 2006, foi criada para prevenir e combater a violência doméstica e familiar contra a mulher no país. A legislação leva o nome de Maria da Penha, farmacêutica que sobreviveu a uma tentativa de homicídio praticada pelo então marido.
Ailton Júnior declarou que mantém um relacionamento de aproximadamente 30 anos com a companheira, sendo 24 anos de casamento. Segundo ele, ambos estão atualmente no Recife, hospedados no mesmo apartamento, mas ainda não decidiram se permanecerão juntos. O conselheiro já foi eleito quatro vezes como o mais votado para o cargo em Fernando de Noronha, função equivalente à de vereador. Nas eleições de 2022, obteve 394 votos. O arquipélago conta com sete conselheiros distritais, cada um com mandato de quatro anos.
Este é o segundo registro de suspeita de agressão contra mulher em Fernando de Noronha neste ano. Na primeira semana de 2025, a Polícia Civil abriu investigação contra o então comandante da Polícia Militar na ilha, o tenente William Monteiro, acusado de agredir a namorada.
De acordo com o advogado da vítima nesse outro caso, o exame de corpo de delito confirmou a existência de lesões. Após a denúncia, o militar foi afastado da função e transferido da ilha. Em nota, o promotor de Justiça de Fernando de Noronha, Fernando Matos, informou que o Ministério Público tem a obrigação legal de apresentar denúncia à Justiça sempre que houver registro de ocorrência e indícios mínimos de autoria e materialidade. Ele acrescentou que não pode divulgar detalhes do processo envolvendo o conselheiro, uma vez que o caso tramita em segredo de Justiça.
O MPPE, através de nota, por meio da 7ª Promotoria de Justiça Criminal da Capital com atuação nos Feitos de Fernando de Noronha, confirmou a denúncia oferecida à Justiça.


