Um homem de 29 anos, identificado como Erike Macedo Pereira da Silva, foi preso pela Polícia Civil de Pernambuco sob suspeita de assassinar dois homens em situação de rua e de tentar matar um terceiro no Grande Recife. Durante o interrogatório, ele confessou os crimes e declarou que pretendia cometer outros nove homicídios na Região Metropolitana.
As informações sobre a prisão foram divulgadas pelo delegado Roberto Ferreira, responsável pela 12ª Delegacia de Polícia de Homicídios de Jaboatão dos Guararapes.
De acordo com o delegado, as investigações tiveram início após o homicídio de Nathanael Santana Ferreira, registrado na madrugada do dia 7 de janeiro, na Rua Oscar Pereira, no bairro de Candeias, em Jaboatão dos Guararapes. Horas depois, ainda no mesmo dia, um segundo crime com características semelhantes foi registrado na Rua Duque de Caxias, no bairro de Santo Antônio, área central do Recife. A vítima foi identificada como Luiz Antonio da Silva Júnior.
Segundo a Polícia Civil, ambos eram homens em situação de rua e usuários de drogas. Imagens de câmeras de segurança foram fundamentais para a elucidação dos casos, permitindo reconstituir a dinâmica dos crimes e identificar o suspeito, que aparecia caminhando e conversando com as vítimas antes de efetuar os disparos.
Um terceiro ataque foi registrado na segunda-feira (19), no bairro da Boa Vista, no Centro do Recife, em frente a uma clínica médica. A vítima, Marcelo Francisco da Silva, foi atingida por três tiros no rosto e segue internada em estado gravíssimo no Hospital da Restauração.
Com o cruzamento de informações e a análise das imagens, os investigadores localizaram o suspeito em uma residência na Rua Edgar Campelo, no bairro do Jordão, Zona Sul do Recife. Ele foi preso em flagrante. No momento da prisão, confessou os crimes e indicou o local onde escondia a arma utilizada — uma pistola calibre .380 — além de 15 munições, um carregador e um aparelho celular.
Ainda segundo a Polícia Civil, Erike Macedo havia deixado o sistema prisional há cerca de quatro meses, após cumprir pena por crimes considerados graves e de natureza violenta. A prisão em flagrante foi convertida em preventiva, e o suspeito permanece à disposição da Justiça.
As investigações apontam que o homem seguia um padrão de atuação nos crimes. Ele se aproximava das vítimas, todas em situação de rua, simulava uma relação de amizade e iniciava conversa. Em algumas situações, utilizava drogas com as vítimas ou oferecia dinheiro, fingindo a compra de entorpecentes. Após conquistar a confiança, sacava a arma de fogo e efetuava disparos, principalmente na região da cabeça e do tronco.
A polícia também constatou que, nos crimes ocorridos em 7 de janeiro, o suspeito usava a mesma roupa e a mesma arma, o que reforçou a ligação entre os homicídios. No ataque mais recente, na Boa Vista, ele teria simulado que aguardava um transporte por aplicativo, afastando-se momentaneamente antes de retornar e atirar contra a vítima.
Em depoimento, o suspeito alegou ter “motivos pessoais” contra as vítimas. No entanto, até o momento, não foram encontrados indícios que comprovem conflitos anteriores. Conforme relato do próprio investigado, os crimes teriam sido motivados por vingança, em razão de desavenças ocorridas no sistema prisional.
As investigações seguem em andamento para apurar a possível relação do suspeito com outros crimes e verificar se há registros semelhantes durante o período em que esteve em liberdade.


