Entenda como se antecipar aos cortes de juros e preparar sua carteira de investimentos

Especialistas citam ativos de renda fixa prefixados e atrelados à inflação como boas alternativas.

A expectativa de que o Banco Central do Brasil (BC) deve começar a cortar juros ainda no primeiro trimestre deste ano abre uma nova janela de oportunidade para que os investidores revisem suas carteiras de renda fixa.

Atualmente, a taxa básica de juros está em 15% ao ano. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a principal projeção do mercado é de que a reunião desta semana do Comitê de Política Monetária (Copom) ainda mantenha os juros inalterados, com sete em cada 10 bancos estimando uma redução apenas em março.

Entenda nesta reportagem o que esperar dos juros e como montar sua carteira de investimentos.

Como antecipar o corte de juros na carteira de investimentos?

Esse cenário, segundo especialistas, abre espaço para que investidores montem uma estratégia voltada para a diversificação em ativos de renda fixa.

Segundo um estudo elaborado pela XP Investimentos e compartilhado em primeira mão com o g1, períodos de queda de juros costumam ser favoráveis principalmente para títulos prefixados e indexados à inflação (IPCA+).

  • Títulos prefixados têm uma taxa de rendimento definida no momento da aplicação, o que permite ao investidor saber quanto receberá no vencimento do título.
  • Títulos indexados à inflação são aqueles que rendem a inflação do período acrescida de uma taxa fixa.

De acordo com o documento, esses ativos tendem a apresentar um desempenho superior ao CDI (taxa que serve como referência para boa parte dos investimentos de renda fixa no Brasil) não apenas em períodos de queda de juros, mas também nos meses que antecedem o início do ciclo.

Segundo o estudo, que analisou ciclos de queda desde 2005, o retorno médio do índice de prefixados (IRF-M) foi de 13,3% no primeiro ano após o início do ciclo de cortes, enquanto o do CDI (IMA-S) foi de 10,7% no mesmo período.

O relatório também mostra que, para cada 1 ponto percentual de queda na Selic, a estimativa é que os títulos atrelados à inflação de curto prazo tenham uma valorização adicional média de 0,40%, enquanto prefixados podem subir 0,50% no mesmo mês.

Nesse último caso, foram considerados o índice IMA-B 5 — que mostra o desempenho de títulos públicos atrelados à inflação com vencimento de até 5 anos — e o IRF-M, que acompanha o desempenho de títulos prefixados.

Segundo Sá, da XP, esse é o momento ideal para o investidor “rebalancear o mix de indexadores” da carteira, combinando ativos prefixados, atrelados à inflação e pós-fixados.

Como preparar minha carteira de investimentos?

Segundo o planejador financeiro certificado pela Planejar, Carlos Castro, é importante que o investidor aloque seus recursos de forma estratégica, independentemente do ciclo econômico do país.

Castro afirma que uma boa estratégia de investimentos deve seguir três passos:

  1. Defina um horizonte de tempo e separe os objetivos de curto, médio e longo prazo. Dessa forma, o investidor consegue entender se deve montar uma carteira com perfil de risco mais conservador, moderado ou agressivo.
  2. Com base no perfil de risco, defina como a carteira será dividida entre ativos de renda fixa, renda variável, multimercados e alternativos.
  3. Depois de dividir a carteira, escolha quais produtos financeiros irão compor cada classe de ativos.

Os especialistas alertam, ainda, que é preciso atenção ao horizonte de investimentos. De acordo com o especialista de renda fixa do Inter Rafael Winalda, essa definição de prazo pode impedir prejuízos por conta da marcação a mercado.

Por g1

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