Coluna da segunda | A guerra de narrativas

A decisão do ministro Gilmar Mendes, que colocou a Polícia Federal na cola da Polícia Civil e barrou investigações em secretarias da Prefeitura do Recife, jogou ainda mais gasolina num terreno que já estava pegando fogo: a política pernambucana. De um lado, o prefeito João Campos (PSB) se posiciona como vítima de perseguição política. Do […]
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A decisão do ministro Gilmar Mendes, que colocou a Polícia Federal na cola da Polícia Civil e barrou investigações em secretarias da Prefeitura do Recife, jogou ainda mais gasolina num terreno que já estava pegando fogo: a política pernambucana.

De um lado, o prefeito João Campos (PSB) se posiciona como vítima de perseguição política. Do outro, Raquel Lyra tenta sustentar a narrativa de que o governo não interfere em investigações e que as instituições estão apenas cumprindo seus papéis. Nenhum dos dois fala apenas para o presente. Ambos estão, claramente, dialogando com o eleitor que vai às urnas em outubro.

João aposta num enredo que já se mostrou eficiente em outros momentos da política brasileira: o da tentativa de criminalização da política e do uso da máquina para intimidar adversários.

Raquel, por sua vez, busca ocupar o campo da legalidade e da estabilidade institucional. O recado é simples: não há perseguição, não há aparelhamento, não há interferência. Há investigação. Essa linha interessa diretamente a uma governadora que tenta se apresentar como gestora, técnica e avessa a conflitos políticos.

O pano de fundo, porém, é mais profundo. A decisão de Gilmar Mendes não encerra o debate. Pelo contrário. Ela inaugura uma nova fase: a da politização explícita do episódio. E, em ano eleitoral, todo fato relevante vira ativo de campanha.

A guerra não é jurídica. É narrativa. A campanha ainda nem começou oficialmente, mas o roteiro está sendo escrito agora.

FERVILHANDO – O retorno dos trabalhos legislativos da Assembleia, hoje, é um episódio à parte na política local, mas com conexão direta com a polarização e as narrativas. A este blog, o presidente Álvaro Porto (PSDB) disse que vai pedir um parecer da Procuradoria da Casa sobre o pedido de impeachment da governadora.

IMPEACHMENT – Assim como o de Raquel, o pedido de impeachment do prefeito João Campos (PSB) deve ser lido após parecer favorável do corpo jurídico da Câmara do Recife. Ambos não devem avançar, mas buscam apenas produzir fato político e alimentar, mais uma vez, a velha narrativa.

FRASE DO DIA: “É o que vai acontecer”, disse o governador Romeu Zema, sobre a combinação de os candidatos da direita estarem juntos no segundo turno.

RÁPIDAS

RETORNO EM BRASÍLIA – Quem também retoma, hoje, suas atividades é o Congresso Nacional. O clima promete ser quente, sobretudo na relação com o governo Lula.

À ESPERA DOS NÚMEROS – Muitos estão ansiosos pela chegada do dia 5 de fevereiro, próxima quinta-feira, para conhecer os novos números da Datafolha para a corrida eleitoral em Pernambuco. Trata-se da primeira pesquisa registrada do ano, contratada pela CBN e que será divulgada por este blog.

SÓ INSTITUCIONAL? – A última agenda do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, no estado, ao lado da governadora Raquel Lyra, foi interpretada para além do tom institucional, mesmo ele continuando aliado do PSB.

PINGA-FOGO: Quem vencerá essa narrativa política em Pernambuco?

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