Sem João Campos, Câmara Municipal do Recife inicia trabalhos para 2026

Câmara reforçará segurança para leitura do pedido de impeachment contra o prefeito, nesta terça (3)

A Câmara Municipal do Recife deu início aos trabalhos legislativos de 2026, nesta segunda-feira (2), em sessão solene na Casa de José Mariano, marcada pela ausência do prefeito do Recife, João Campos (PSB), que foi representado pelo secretário de Planejamento e Gestão, Jorge Vieira. O prefeito cumpre agenda em Brasília, onde esteve pela manhã com o ministro dos Transportes, Renan Filho.

Presidida pelo vereador Romerinho Jatobá (PSB), a sessão contou com pronunciamentos do líder da Oposição, Felipe Alecrim (Novo), do líder do Governo, Samuel Salazar (MDB), além do próprio secretário Jorge Vieira, que após ter sido recebido com breve tumulto, leu o relatório de gestão de 2025, assinado pelo prefeito João Campos (PSB), destacando pontos na saúde, na educação, desenvolvimento social e meio ambiente.

Impeachment

A abertura dos trabalhos ainda foi marcada pela expectativa para leitura do pedido de impeachment contra o prefeito do Recife, proposto pelo vereador Eduardo Moura (NOVO), por alteração no resultado de um concurso público para procurador municipal. A leitura ocorrerá nesta terça-feira (3), às 10h. De acordo com o presidente Romerinho Jatobá (PSB), a Câmara prepara reforço no esquema de segurança. 

“Já convocamos a guarda municipal, o policiamento. Vamos tentar fazer um controle de acesso. Mas espero que as pessoas venham para cá com um senso de responsabilidade. O que se vota aqui é um pedido de impeachment colocado por um vereador e apoiado por um grupo de vereadores. Mas isso não é motivo para ninguém estar se degladiando aqui. Então, a gente pede para que quem venha amanhã acompanhar a votação do impeachment, venha com o sentimento de participar de uma sessão numa casa democrática”, declarou.

Apesar de o governo ter maioria na Casa para arquivar o pedido, a oposição espera conseguir mobilizar vereadores tratados como independentes, como afirma o líder da Oposição, vereador Felipe Alecrim (NOVO).

“Amanhã, de um modo muito objetivo, a gente vai debater aqui nessa Casa tudo o que ocorreu e vai levar respostas contundentes para o povo do Recife. A gente tem feito um trabalho dialogado e acho que a população, inclusive, tem um papel fundamental nisso, de cobrar a cada vereador uma resposta mais contundente a todos. A maioria da Casa caminha com o prefeito, mas tem alguns vereadores que são mais independentes e outros ainda que desejam dar uma resposta à sociedade”, pontuou.

Já o líder do Governo, vereador Samuel Salazar (MDB), afirmou à CBN Recife que o pedido de impeachment proposto por Eduardo Moura (NOVO) é “vazio”, sem possibilidade de aprovação pela Câmara.

“Eu falo como advogado, inclusive. Acho que esse impeachment é completamente vazio. É um impeachment no propósito de chamar a atenção, por ser um ano eleitoral, para tentar desgastar a imagem do prefeito. Não tem qualquer fundamento. Será lido amanhã aqui na Casa, faremos um debate sobre ele, e em seguida, vamos orientar a nossa bancada para arquivar. Repito, por não ter nenhum fundamento jurídico que lastreie esse pedido”, declarou.

Vereador Samuel Salazar (MDB), líder do Governo, na tribuna da Câmara Municipal do Recife – Lucas Arruda/CBN Recife

Ano eleitoral

O presidente da Câmara Municipal do Recife, vereador Romerinho Jatobá (PSB), ainda comentou sobre os trabalhos da Casa de José Mariano em pleno ano eleitoral, com os mandatos sendo divididos com os projetos políticos de cada parlamentar. Segundo Romerinho, cada vereador terá que se organizar para dar conta das demandas da cidade.

“Estamos animados porque trabalhamos muito pela cidade. O ano eleitoral traz esse molho a mais, termina virando um ano mais acalorado, com mais discussões. O prefeito, ao que tudo indica, vai se licenciar para disputar o governo (estadual), muitos vereadores serão candidatos a deputados, mas a gente tem que manter o ritmo pela cidade. Temos essa responsabilidade de andar o estado todo e conversar com muita gente, mas a gente não pode abrir mão das nossas prerrogativas, daquilo que o povo nos concedeu o direito de poder representá-los”, disse Romerinho Jatobá (PSB), pré-candidato a deputado estadual.

O vereador ainda reforçou que não vai se licenciar da presidência da Câmara, a qual funcionará sem qualquer tipo de alteração nos trabalhos.

Reportagem – Lucas Arruda

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