No meio da disputa simbólica entre João Campos e Raquel Lyra pela associação à imagem do presidente, quem de fato faturou politicamente com a vinda ao Galo da Madrugada foi o próprio Lula. O presidente assumiu o centro do palco. Em vez de reforçar a sinalização para os dois, ele foi disputado por todos. Sem falar que os possíveis nomes para o Senado posaram para foto com ele.
Lula reafirmou sua condição de ativo político mais valioso no estado. Sua presença não serviu para carimbar ninguém, mas para manter todos na órbita de sua influência. Ao ser cortejado simultaneamente, o presidente preserva margem de manobra e amplia seu poder de arbitragem sobre o processo eleitoral.
No fim, o Galo não produziu um vencedor local claro entre João e Raquel. Produziu, isso sim, a reafirmação de Lula como o eixo em torno do qual gravita a eleição em Pernambuco. Quem saiu mais forte não foi quem esteve ao lado dele, mas ele próprio — justamente porque todos quiseram estar.


