A Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) prendeu, nesta terça-feira (24), a influenciadora digital Monniky Fraga, de 27 anos, em Igarassu, na Região Metropolitana do Recife (RMR). Segundo a PCPE, em abril de 2025, ela teria forjado o próprio sequestro para alavancar o número de seguidores nas redes sociais. O atual companheiro e a mãe de Monniky são tratados como as principais vítimas, e a suspeita, que pode responder por extorsão, fraude processual e falsa comunicação de crime, nega a versão da polícia.
As investigações foram iniciadas pelo Grupo de Operações Especiais (GOE/PCPE) no mês em que o falso sequestro ocorreu, após Monniky procurar veículos de imprensa para contar sobre o caso. Toda a cena teve a participação de um ex-companheiro, atualmente detido no Presídio de Igarassu, no Grande Recife, pela prática de outros crimes. Ele foi alvo de um dos mandados de prisão expedidos pela Comarca de Igarassu e cumpridos na Operação “Cortina de Likes”.
No dia do falso sequestro, a influenciadora digital e o atual companheiro foram capturados por três pessoas. O homem que hoje está no Presídio de Igarassu, também tratado como mentor do crime, liderava os outros dois participantes. Entre eles, o motorista do veículo, Caio Barbosa de Santana, de 24 anos, que foi assassinado em Abreu e Lima na última terça-feira (17). O terceiro suspeito não foi identificado pela polícia.
A Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) também contou com o apoio da Polícia Civil de São Paulo (PCSP). De acordo com as investigações, a mãe da vítima chegou a ser extorquida para a liberação da filha e do genro, e fez um pagamento direcionado a uma conta bancária cujo titular é do estado de São Paulo. Inicialmente, o valor cobrado foi de R$ 100 mil, sendo efetuado o pagamento de uma quantia consideravelmente menor.

O delegado-adjunto do GOE, Cley Anderson, relatou à imprensa que pontos como a dinâmica do crime e contradições apresentadas ao longo das investigações foram importantes para que a polícia identificasse a falsidade do sequestro.
“Há indicativos de que a trama foi feita pelos dois (Monniky Fraga e o ex-companheiro), também havendo indícios de que o atual esposo dela de nada sabia. Já a mãe seria vítima porque foi a primeira pessoa com quem os supostos sequestradores entraram em contato, exigindo o pagamento do resgate”, disse.
Depois de ter sido presa em casa, em Igarassu, a influenciadora digital Monniky Fraga foi conduzida à sede do GOE, no bairro do Cordeiro, na Zona Oeste do Recife, e depois, ao Instituto de Medicina Legal (IML), no bairro de Santo Amaro, para realização do exame de corpo de delito. Nas redes sociais, ela apresentava aos seguidores dicas de estilo de vida.
O que diz a defesa
Para a imprensa, o advogado da influenciadora digital, Alexandre Costa, afirmou que a operação representa uma “aberração jurídica”. A defesa deve solicitar prisão domiciliar para Monniky por ser mãe de crianças menores de 18 anos. O advogado também contesta a versão de que a mãe da influenciadora tenha sido extorquida, dado que a quantia teria sido emprestada para realização do resgate, e o dinheiro, devolvido em sequência.


