Coluna da quarta | Para onde vai o voto de Ratinho?

A saída de Ratinho Júnior da corrida presidencial abriu uma lacuna que, até então, parecia ocupar um espaço cada vez mais relevante: o do eleitor de centro. E a pergunta que passa a ecoar no tabuleiro político é direta — para onde vai esse voto? Sem um nome competitivo que represente esse campo, o cenário […]
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A saída de Ratinho Júnior da corrida presidencial abriu uma lacuna que, até então, parecia ocupar um espaço cada vez mais relevante: o do eleitor de centro. E a pergunta que passa a ecoar no tabuleiro político é direta — para onde vai esse voto?

Sem um nome competitivo que represente esse campo, o cenário tende a se reorganizar em torno da velha polarização. Lula de um lado, Bolsonaro do outro. E, no meio, um eleitor que não se identifica integralmente com nenhum dos polos, mas que agora se vê pressionado a escolher.

Pesquisas recentes já indicavam que parte significativa do eleitorado de Ratinho se posicionava justamente nesse espectro mais moderado. Um público que não migra automaticamente nem para o lulismo, nem para o bolsonarismo. É um voto mais racional, menos ideológico, mas que, diante da ausência de alternativa, pode acabar sendo capturado pelo chamado “voto útil”.

E é aí que mora o ponto central. A saída de Ratinho não apenas esvazia o centro, como fortalece — ainda que indiretamente — o projeto de reeleição do presidente Lula. Isso porque, historicamente, em cenários polarizados, o eleitor moderado tende a pender para quem oferece maior previsibilidade institucional.

Por outro lado, Bolsonaro também entra no jogo para disputar esse espólio. Vai tentar suavizar discurso, ampliar pontes e sinalizar ao centro que pode ser uma opção viável fora do campo mais radical.

No fim das contas, o voto de Ratinho virou peça-chave. Sem dono, sem rumo definido, mas com peso suficiente para decidir uma eleição. A dúvida agora não é só para onde ele vai — mas quem conseguirá, de fato, conquistá-lo.

TESTE DA BASE – A votação sobre os vetos será mais um teste para Raquel Lyra na Assembleia Legislativa. Manter sua posição no plenário vira prova de força da base, especialmente em meio as arestas com o PP, que tem peso na Casa Joaquim Nabuco. O resultado dirá muito sobre o controle político do governo.

NA BASE – Mesmo com o apoio dos Coelho em Petrolina, o ex-prefeito Júlio Lossio, pré candidato a deputado, reafirmou alinhamento com a reeleição de Raquel Lyra e ainda acenou com a possibilidade de Guilherme Coelho integrar a chapa da governadora.

Frase do dia: “O trabalho de João no Recife projeta ele para todo o Pernambuco”, disse o deputado federal Eliberto Medeiros.

RÁPIDAS

ANIMADO – Animado com a montagem da chapa do Podemos, o deputado estadual Wanderson Florêncio acelera nos bastidores em busca da renovação do mandato na Casa Joaquim Nabuco.

NO SEU RITMO – Sem pressa, mantendo seu próprio script, o deputado federal Eduardo da Fonte, presidente da Federação União Progressista em Pernambuco, segue sem definição final e continua se articulando para disputar o Senado na eleição deste ano.

PINGA-FOGO: Como os deputados do PP vão votar nos vetos da governadora?

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