Lula sanciona “PL Antifacção” com vetos pontuais

Ao sancionar a nova lei de combate ao crime organizado, o Executivo preservou medidas de forte apelo eleitoral, como a restrição ao auxílio-reclusão e ao voto de presos provisórios

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, optou por sancionar o projeto de lei de combate às facções criminosas sem vetar pontos polêmicos, como a proibição de que presos provisórios votem e o fim do repasse do auxílio-reclusão para familiares de integrantes desses grupos.

Lula vetou apenas dois pontos do texto, que ficou conhecido como “PL Antifacção”: um que permitia o enquadramento de pessoas na nova lei mesmo sem comprovação de que integrassem organizações criminosas, o que, segundo o governo, geraria insegurança jurídica e sobreposição ao Código Penal, e outro que destinaria recursos e produtos apreendidos do crime organizado para fundos dos Estados e do Distrito Federal, o que implicaria em perda de receita da União em um momento de alta demanda por recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública.

A decisão do Palácio do Planalto de não vetar temas de forte apelo eleitoral, como a restrição ao voto e ao auxílio-reclusão para famílias de líderes de facções, ocorreu apesar das críticas de partidos de esquerda. Em seu discurso, Lula mencionou brevemente o cancelamento do título de eleitor de detentos, mas foi enfático ao defender a interrupção do auxílio financeiro, afirmando que o criminoso deve sentir que sua irresponsabilidade causa mal também à sua própria família.

Segundo apurações, o governo preferiu não se envolver nesses temas devido à potencial repercussão negativa, entendendo que seria mais estratégico deixar que tais pontos fossem posteriormente questionados e analisados pelo Poder Judiciário.

A postura de Lula durante a cerimônia de sanção refletiu um equilíbrio entre gestos punitivistas e garantistas. Ao mesmo tempo em que defendeu que autoridades tenham “capacidade e coerência” nas delações premiadas, exigindo provas concretas para evitar injustiças, o presidente utilizou argumentos comuns a setores que pregam maior rigor penal, citando a frequência com que presos são soltos em audiências de custódia pouco tempo após a detenção.

Com a sanção, o texto segue para publicação oficial, consolidando novas ferramentas para o enfrentamento ao crime organizado, enquanto o governo sinaliza um endurecimento no discurso sobre segurança pública.

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