O roteiro da eleição presidencial começa a ganhar forma — e ele parece velho. De um lado, o presidente Lula apostando na memória afetiva dos anos de bonança, vendendo um Brasil que já existiu. Do outro, o bolsonarismo, agora com Flávio Bolsonaro, tentando reeditar o discurso de comparação direta com o governo do seu pai, Jair Bolsonaro.
O problema é que, até aqui, o debate não olha para frente. Não há projeto consistente de futuro, nem enfrentamento real dos desafios do presente. É uma disputa de narrativas ancoradas no passado: quem foi melhor, quem errou menos, quem deixou mais saudade.
Na prática, o eleitor corre o risco de assistir a uma campanha que funciona como um museu a céu aberto — onde as peças são conhecidas, os discursos são reciclados e o Brasil de amanhã segue sem curadoria.


