Coluna da segunda | O voto “Luquel”

Na política pernambucana, uma nova tese começa a ganhar corpo dentro do próprio PT: o chamado voto “Luquel”. Capitaneada pelos deputados estaduais Doriel Barros, João Paulo Lima e Rosa Amorim, a ideia é simples, mas politicamente ousada: casar o voto em Lula e na governadora Raquel Lyra e, ao mesmo tempo.  O movimento nasce de […]
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Na política pernambucana, uma nova tese começa a ganhar corpo dentro do próprio PT: o chamado voto “Luquel”. Capitaneada pelos deputados estaduais Doriel Barros, João Paulo Lima e Rosa Amorim, a ideia é simples, mas politicamente ousada: casar o voto em Lula e na governadora Raquel Lyra e, ao mesmo tempo. 

O movimento nasce de uma leitura pragmática: Lula é prioridade nacional do partido, e é necessário ampliar o palanque no seu estado natal, esse voto só ganharia força se a governadora Raquel declarar voto no presidente. Ao mesmo tempo que tentará com esse movimento neutralizar o que o PT de maneira oficial decidiu: votar em João Campos para governador.

E esse voto “Luquel” pode ganhar musculatura por um motivo central: não haverá retaliação. O recado foi dado de forma clara pelo presidente estadual da sigla, o deputado federal Carlos Veras, durante o Ponto de Encontro. Ao garantir respeito aos mandatos e afastar qualquer tipo de punição interna, Veras abriu, na prática, uma avenida para esse tipo de construção híbrida.

Do outro lado, Raquel Lyra observa e estimula. A governadora trabalha para atrair esse eleitor lulista que não rompe com ela no estado. E vai além: articula uma chapa plural, com a possibilidade de ter o deputado federal Túlio Gadelha ao Senado, equilibrando forças com um nome da Federação União Progressista: seja Miguel Coelho, seja Eduardo da Fonte.

SENADOR NA CHAPA? –  o deputado federal Túlio Gadelha abriu conversas com o PSD, comandado nacionalmente por Gilberto Kassab, e com a governadora Raquel Lyra para trocar a Rede pela nova legenda e disputar o Senado na chapa da gestora em Pernambuco. A movimentação, segundo a coluna Painel, da Folha de São Paulo, reforça o redesenho das alianças no estado e amplia as opções da governadora na montagem de uma chapa competitiva para 2026.

OTIMISTA – Animado com o cenário eleitoral, o deputado estadual Carlos Veras, presidente do PT em Pernambuco, afirmou que a militância petista trabalha com a perspectiva de eleger dois senadores na chapa alinhada ao presidente Lula. “Não tenham dúvida que vamos eleger os dois, até porque são dois votos. Eles são os senadores de Lula e chegaremos com força para eleger. Quem vota em Marília vota em Humberto”, cravou o dirigente, reforçando a estratégia de unificação do palanque no estado.

FRASE DO DIA: “Uma coisa é a definição do PT e da nossa federação, outra coisa é a campanha do presidente Lula”, disse Carlos Veras, presidente do PT de Pernambuco, sobre o apoio a João Campos. 

RÁPIDAS 

EM CASA – Em clima de casa, a ex-deputada Marília Arraes, pré-candidata ao Senado, circulou com desenvoltura no encontro do PT que oficializou o apoio ao prefeito João Campos ao governo, mostrando sintonia com a base petista. 

CONTAGEM REGRESSIVA – O prefeito João Campos entra na última semana à frente da Prefeitura do Recife antes de deixar o cargo no próximo dia 2 para disputar o governo do estado. Em ritmo acelerado, o gestor intensificou a agenda de entregas e ações, numa tentativa de fechar o ciclo administrativo com marca forte e capitalizar politicamente a reta final da gestão.

PINGA-FOGO: Esse voto “Luquel” se manterá forte quando a campanha começar?

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