O ex-ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, quebrou o silêncio nesta terça-feira (31) e declarou ser um “homem inocente”. Esta foi a sua primeira manifestação pública desde que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou uma denúncia formal contra ele ao Supremo Tribunal Federal (STF), em 4 de março de 2026, pelo crime de importunação sexual.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Almeida alegou que sua saída do governo Lula ocorreu sem que lhe fosse garantido o direito ao contraditório.
O caso, que tramita sob sigilo na Corte sob a relatoria do ministro André Mendonça, ganhou contornos judiciais após o procurador-geral da República, Paulo Gonet, assinar a peça acusatória. Silvio Almeida foi indiciado pela Polícia Federal em novembro de 2025, após investigações sobre episódios de importunação que teriam vitimado diversas mulheres, incluindo a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.
As denúncias vieram a público em setembro de 2024, quando a organização Me Too Brasil confirmou ter recebido relatos de abusos praticados pelo então ministro. À época, o presidente Lula classificou a permanência de Almeida como “insustentável” diante da gravidade dos fatos e optou pela sua demissão imediata.
De acordo com o depoimento prestado por Anielle Franco à Polícia Federal em outubro de 2024, as atitudes desrespeitosas teriam começado ainda no período de transição de governo, no final de 2022.
O ato mais grave teria ocorrido durante uma reunião oficial em maio de 2023. Anielle relatou que Almeida, sentado ao seu lado, teria colocado a mão em suas pernas por baixo da mesa. O encontro contava com a presença de pelo menos outras 11 pessoas, incluindo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o presidente da Anac, Tiago Pereira.
Com a denúncia apresentada pela PGR, o STF deverá decidir se torna Silvio Almeida réu no processo. O ex-ministro mantém a postura de negação total das acusações, enquanto a defesa de Anielle Franco e as demais supostas vítimas seguem acompanhando o desdobramento do inquérito. O material colhido pela PF e as denúncias enviadas pelo Me Too Brasil formam a base da acusação que agora está nas mãos da Suprema Corte.
Silvio Almeida se diz “homem inocente” em primeira manifestação após denúncia por importunação sexual contra Anielle Franco da PGR
Ex-ministro dos Direitos Humanos afirma ter sido demitido sem direito à defesa; processo por importunação sexual contra a ministra Anielle Franco corre em sigilo no STF
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