Severino Luiz de França, conhecido como Mestre Biloco, faleceu aos 83 anos na manhã deste sábado (11). Reconhecido como um dos grandes nomes da cultura popular pernambucana, o músico morreu em sua residência, em Goiana, na Zona da Mata Norte do estado. Até o momento, a causa da morte não foi divulgada, assim como informações sobre o velório e o sepultamento.
Natural do Sertão de Pernambuco, Severino se mudou ainda bebê para Goiana, onde construiu toda a sua trajetória artística. Foi na cidade que iniciou sua relação com a música ainda na infância. Em 1971, fundou a Ciranda dos Cangaceiros, grupo que se consolidou como a ciranda em atividade mais antiga do estado, com mais de 50 anos de história. O nome do grupo foi inspirado na admiração pelo cangaceiro Lampião, refletida nos trajes e acessórios utilizados pelos integrantes.
De acordo com o Inventário Nacional de Referências Culturais da Ciranda, elaborado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Mestre Biloco era o único ainda a utilizar o apito para dar início às rodas de ciranda, preservando uma prática tradicional ligada às origens desse ritmo.
Além da ciranda, o artista também teve atuação marcante em outras manifestações culturais. Foi mestre de maracatu de baque solto no grupo Leão do Fortaleza e regeu orquestras de frevo, participando ativamente de celebrações típicas ao longo do ano, como festas de Carnaval, São João, Natal e eventos religiosos.
Viúvo, Mestre Biloco deixa sete filhos. Em nota, a Prefeitura de Goiana manifestou pesar pela perda, destacando que o município se despede de um grande mestre, mas mantém viva a memória de alguém que transformou a arte em instrumento de vida e formação cultural para diversas gerações em Goiana e em todo o estado.


