Secretaria de Saúde de Pernambuco investiga morte de menino de 8 anos com suspeita de meningite bacteriana

Família confirmou início dos sintomas durante viagem para Gravatá, no Agreste

Um menino de 8 anos faleceu no Recife com suspeita de meningite bacteriana. Segundo relatos da família, Benjamin Leite Costa começou a apresentar sintomas durante uma viagem a Gravatá, no Agreste pernambucano. Ele passou por atendimento em três unidades de saúde antes de morrer no Hospital Geral de Areias, localizado na Zona Oeste da capital. A Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que o caso está sendo investigado.

De acordo com os familiares, em menos de 24 horas após dar entrada no hospital, o menino teve uma reação a um medicamento, precisou ser entubado e foi levado para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) improvisada dentro da enfermaria. O pai, Adejair Pereira da Costa, contou que os primeiros sintomas surgiram na Sexta-feira Santa, dia 3 de abril, quando o filho apresentou vômitos e dores de cabeça. Ainda nesse dia, ele foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Gravatá, onde recebeu dipirona e remédio para enjoo, sendo liberado em seguida.

Após uma breve melhora, os sintomas retornaram na noite do sábado (4), e o menino continuou usando as medicações prescritas até a família voltar para casa, em Pau Amarelo, no município de Paulista, na Região Metropolitana do Recife. Diante da piora, os responsáveis o levaram à UPA de Jardim Paulista, onde, segundo o pai, foi novamente medicado com dipirona.

Na noite da segunda-feira (6), a mãe percebeu o surgimento de manchas vermelhas no braço do filho, que então foi levado ao Hospital da Criança, no bairro de Areias. O pai afirmou que não conseguiu atendimento na unidade. Em resposta, a Secretaria de Saúde do Recife esclareceu que o hospital não realiza atendimentos de emergência por demanda espontânea e negou qualquer recusa. 

Já no Hospital Geral de Areias, o menino ficou inicialmente em uma enfermaria com outras quatro crianças. Durante a internação, foram realizados três exames de sangue. Em um deles, foi descartada a hipótese de dengue, enquanto o último apresentou resultado inconclusivo. Segundo o pai, após a aplicação de um antibiótico por meio de injeção, o garoto teve uma reação, apresentando manchas avermelhadas pelo corpo e, no aguardo pela transferência em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) “improvisada” para um leito no Hospital Oswaldo Cruz, a criança não resistiu. A confirmação da doença, veio após o óbito da criança. 

Após o falecimento na terça-feira (7), a família comunicou o caso à escola particular onde o menino estudava, em Paulista. Em nota enviada aos pais, a instituição informou que notificou as autoridades de saúde e decidiu suspender as aulas na quinta-feira (9) para realizar uma limpeza geral e desinfecção das dependências, como medida preventiva.

A Secretaria Estadual de Saúde reforçou que o caso foi oficialmente notificado e segue em apuração. O órgão destacou ainda que os protocolos para suspeita de meningite não recomendam o fechamento de escolas, prevendo a adoção de quimioprofilaxia apenas para pessoas que tiveram contato próximo com o paciente.

A Secretaria de Saúde de Paulista informou que foi comunicada pela escola e ressaltou que o último dia de presença do aluno no ambiente escolar foi em 1º de abril, antes do início dos sintomas. A prefeitura acrescentou que adotou todas as medidas indicadas pelo Ministério da Saúde e pela SES, incluindo investigação epidemiológica, identificação e monitoramento de contatos próximos, além da articulação com a escola. Até o momento, não há orientação para suspensão das atividades escolares.

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