Lamento – caro leitor – os tempos que estamos vivendo. Tempos em que aqueles que deveriam ser faróis do bom jornalismo político online — e que, em muitos casos, foram precursores, desbravando caminhos quando ainda tudo era mato — passam a colocar em xeque o próprio valor da comunicação que ajudaram a construir.
Há algo de profundamente contraditório nisso. Quem abriu espaço para o jornalismo digital, quem enfrentou resistências e consolidou audiência com base em credibilidade, hoje, em alguns casos, parece relativizar exatamente aquilo que o tornou relevante: a confiança do público. E confiança, no jornalismo, não é detalhe. É tudo.
O que mais entristece é perceber o abandono gradual de princípios que deveriam ser inegociáveis. A defesa da ética, do profissionalismo e da responsabilidade com a informação vai sendo substituída por posicionamentos cada vez mais alinhados a interesses, narrativas e, muitas vezes, conveniências. O jornalismo deixa de informar para tentar convencer.
Em Pernambuco, terra de grandes nomes da imprensa, esse movimento chama ainda mais atenção. Não por falta de referência, mas justamente pelo contrário. A história do nosso estado sempre foi marcada por jornalistas que compreenderam o peso da palavra e o compromisso com o leitor, o ouvinte, o telespectador.
Por isso, causa estranheza ver profissionais que, amparados em trajetórias respeitáveis, passam a utilizar seus espaços como extensão de militância. Não se trata de opinião — que é legítima e faz parte do jornalismo —, mas de uma atuação que mistura informação com engajamento, borrando os limites que deveriam ser claros.
O resultado é previsível: a erosão da credibilidade. E quando a credibilidade se perde, não é apenas um nome ou um veículo que sofre. É o próprio ambiente informativo que se fragiliza.
Que fim. Que trágico fim.
Lamento.
Elielson Lima


