Estreei com Oscar Schmidt

.Muito mais do que tudo o que representou para o esporte como a “Mão Santa” do basquete brasileiro, e não é pouca coisa,  Oscar Schimidt tem um lugar especial no meu coração. Ainda jovem, no Colégio Salesiano, em Carpina, minha cidade natal, tive a ousadia de estrear no jornalismo — ainda que de forma amadora — […]
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.Muito mais do que tudo o que representou para o esporte como a “Mão Santa” do basquete brasileiro, e não é pouca coisa,  Oscar Schimidt tem um lugar especial no meu coração.

Ainda jovem, no Colégio Salesiano, em Carpina, minha cidade natal, tive a ousadia de estrear no jornalismo — ainda que de forma amadora — ao entrevistá-lo para o jornalzinho da escola. Depois, a matéria acabou repercutida no jornal  “Nordeste Hoje”, que circulava entre as casas salesianas do Nordeste. 

A paciência de Oscar ao atender aquele jovem inexperiente e nervoso, que mal sabia perguntar direito e estava diante de uma personalidade enorme, não apenas pela grandeza física, mas pela dimensão humana, fez com que ele ganhasse um espaço definitivo na minha memória afetiva.

Aquele encontro marcou minha vida por dois motivos. Primeiro, porque ali estavam os primeiros sinais de uma profissão que anos depois eu abraçaria de vez. Segundo, porque Oscar já era, para todos nós, uma referência no esporte, um ídolo de verdade e conhecê-lo me impactou fortemente. 

Lembro que, durante todo o dia em que esteve no Salesiano de Carpina, Oscar recebeu homenagens, cumprimentou autoridades, ouviu canções, conversou com alunos, tirou fotos, que agora procuro nos arquivos para publicar e não as encontro  – vou ter que recorrer a minha mãe -, autografou meu bloco de notas e, mais do que tudo, brincou. Por instantes, parecia voltar a ser aquele aluno salesiano lá de Natal no Rio Grande do Norte que não estava ali apenas representando uma história vitoriosa, mas reencontrando as próprias raízes.

Hoje, com sua partida, sinto como uma ida de alguém próximo que só estive com ele uma vez e foi o suficiente. Fica o legado de um gigante. Não apenas do atleta extraordinário que entrou para a história do basquete, mas também do homem generoso que parou para atender um “repórter”, pelo menos me achava, sem imaginar que aquele jovem, anos depois, seguiria sonhando e vivendo o jornalismo.

A ele, minha reverência e gratidão por representar o modelo de que nada vence a persistência e a disciplina. 

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