Opinião | Vendedores de ilusão

O declínio do período dos mitos fez ascender o período do logos e, assim, aos poucos, a predominância passou a ser da razão, trazendo consigo um antropocentrismo acendrado. Não foi por acaso, que, a partir daí, os sofistas viveram seus momentos de apogeu ao perceberem que o sucesso na Pólis era inerente à capacidade de argumentar e,consequentemente, persuadir a plateia. Um bom argumentador, certamente, teria êxito […]
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O declínio do período dos mitos fez ascender o período do logos e, assim, aos poucos, a predominância passou a ser da razão, trazendo consigo um antropocentrismo acendrado. Não foi por acaso, que, a partir daí, os sofistas viveram seus momentos de apogeu ao perceberem que o sucesso na Pólis era inerente à capacidade de argumentar e,consequentemente, persuadir a plateia. Um bom argumentador, certamente, teria êxito nas assembleias realizadas nas praças.

    Em dias atuais, embora seja percebida, de maneira cristalina a ausência de bons oradores, mas assim como os sofistas que não tinham preocupação com a verdade, mas apenas com o sucesso, na atualidade, no que não falta, são os vendedores de ilusão. Amparados nas pesquisas qualitativas, se apresentam com uma tipologia messiânica, mas, na verdade, emitem sons que provocam consequências semelhantes aos que escutavam o cantarolar das sereias.  Como indagação, pensemos os motivos que levam em ano eleitoral, a haver ter tantas obras entregues à população? Mera coincidência? Devemos acreditar que não, afinal, muitas são as demandas e “coincidentemente”, são concluídas em ano eleitoral.

    Quem tem ouvidos ouça, assim falava Zaratustra.

    Sem ódio e sem medo.

    Hely Ferreira é cientista político.

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