O Ministério Público de Pernambuco pediu que o delegado Luiz Alberto Braga seja submetido a júri popular pelo disparo que atingiu um ambulante durante uma festa em Fernando de Noronha. A vítima, Emmanuel Pedro Apory, teve a perna amputada após ser baleada.
Na manifestação enviada à Justiça na quinta-feira (23), o promotor Fernando Cavalcanti Mattos sustenta que o crime foi premeditado e motivado por ciúmes. Segundo o MPPE, o delegado teria se incomodado após o ambulante conversar, no dia anterior, com sua namorada, a nutricionista Thamires Silva, em uma academia. Testemunhas ouvidas no processo afirmaram que o contato ocorreu por interesse profissional, com troca de telefone entre os dois.
De acordo com a acusação, Braga teria abordado a vítima durante uma festa no dia seguinte. Imagens de câmera de segurança mostram o momento em que o ambulante recebe um tapa e, em seguida, parte em direção ao policial, que reage com disparos. Para o promotor, o delegado agiu de forma intencional e deixou o local sem prestar socorro.
O policial foi indiciado por lesão corporal gravíssima em maio de 2025. No mês seguinte, a Justiça aceitou a denúncia e ele passou a responder por tentativa de homicídio duplamente qualificado.
A defesa do delegado contesta a versão apresentada e sustenta que houve legítima defesa. Em nota, o advogado José Augusto Branco criticou a manifestação do Ministério Público, afirmando que o texto “abandona a objetividade técnica” e utiliza expressões consideradas ofensivas ao réu.
A decisão sobre o envio do caso a júri popular caberá ao Tribunal de Justiça de Pernambuco, responsável por analisar o pedido da promotoria.


