Polícia Civil desarticula esquema de furtos em centro logístico no Cabo e autua 14 pessoas

Investigação identificou atuação de dois grupos criminosos com participação de funcionários e uso de falhas no sistema interno

A Polícia Civil de Pernambuco desarticulou um esquema de furtos qualificados no centro logístico da Amazon, no Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, resultando na autuação em flagrante de 14 pessoas. A investigação teve início após a própria empresa, a Amazon, comunicar suspeitas de irregularidades no estoque, levando à descoberta de pelo menos dois grupos criminosos que atuavam simultaneamente, com participação de funcionários e apoio externo.

As apurações apontaram que parte dos envolvidos fraudava o sistema de etiquetamento, substituindo dados de produtos de alto valor, como computadores e impressoras 3D, por informações de itens de baixo custo, permitindo o envio irregular das mercadorias. No dia 14 de abril, a polícia recebeu informações em tempo real sobre a produção de etiquetas falsas e interceptou uma entrega com quatro computadores de alto desempenho, além de localizar outros produtos desviados em endereços ligados ao grupo. Ao todo, cinco pessoas foram autuadas na primeira fase, com apreensão de diversos eletrônicos e eletrodomésticos.

No decorrer das investigações, um segundo núcleo foi identificado atuando no recebimento de mercadorias, desviando itens antes do registro no sistema e utilizando pontos cegos das câmeras para ocultar a ação. Nesse caso, eles atuavam no setor de recebimento de mercadorias, desviando caixas com produtos de alto valor que ainda não haviam sido registrados no inventário e, por isso, não eram detectados pelos equipamentos de segurança. Segundo a corporação, as embalagens eram levadas para áreas com pontos cegos das câmeras de vigilância, onde eram abertas e tinham o conteúdo dividido entre os envolvidos, sendo posteriormente comercializados na internet. As câmeras de segurança registraram comportamentos suspeitos, como a circulação de funcionários em áreas não habituais e a presença de caixas vazias nesses locais. Nesse esquema, os produtos eram retirados diretamente da área de carga, antes mesmo de serem incluídos no sistema da empresa.

Após a descoberta, o setor de segurança identificou o desaparecimento de itens como smartwatches e outros eletrônicos. No dia 23 de abril, houve ainda uma tentativa de furto de um celular de última geração, o que levou a Polícia Civil a deter suspeitos no local. Um deles, apontado como chefe do grupo, confessou o crime e afirmou que parte dos produtos já havia sido vendida. Nessa fase, nove pessoas foram presas em flagrante por associação criminosa e furto qualificado, com abuso de confiança e concurso de pessoas, e R$ 12,7 mil em produtos foram recuperados.

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