Falta de diagnóstico e atendimento ao autismo gera longa espera em Pernambuco, segundo TCE

Moreno foi o único município da Região Metropolitana a registrar retrocesso

Em 57 municípios de Pernambuco, mais de 66 mil pessoas aguardam por consultas com profissionais capacitados para diagnosticar o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Os dados são de um levantamento do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que aponta a fila para diagnóstico como um dos principais desafios enfrentados no estado.

O estudo também revela que houve avanços tímidos na estrutura de atendimento e suporte às pessoas com TEA nos municípios pernambucanos. Entre eles, apenas Moreno, no Grande Recife, apresentou piora nos indicadores.

No panorama geral, 58 municípios apresentam nível baixo de atendimento, 93 estão em nível muito baixo e 27 enfrentam situação crítica. Apenas Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata Sul, alcançou nível alto de assistência às pessoas com autismo.

De acordo com o TCE, o atendimento em Moreno piorou nos últimos dois anos, passando de nível baixo para muito baixo — sendo o único município da Região Metropolitana a registrar retrocesso.

Entre os principais entraves estão a ausência de protocolos para identificar sinais precoces do autismo em crianças e a falta de diretrizes claras para os profissionais de saúde. Além disso, grande parte das cidades não desenvolve planos terapêuticos individualizados.

Procurada, a Secretaria de Saúde de Moreno informou que, em outubro de 2023, inaugurou a Clínica da Criança, voltada ao atendimento especializado de famílias. A unidade realiza diversos atendimentos e conta com equipe multiprofissional, incluindo fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e psicólogos.

A gestão municipal afirmou ainda que estuda ampliar a estrutura da clínica e contratar novos profissionais, mas destaca a escassez de especialistas disponíveis no mercado. Também informou que oferece transporte para pacientes que precisam realizar tratamento em outras cidades e reconheceu o aumento crescente da demanda, especialmente na área do autismo.

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