A pesquisa Genial/Quaest desta terça, 28 de abril de 2026, entrega muito nos números. O mais importante, porém, ela entrega nas entrelinhas. João Campos lidera com 42% no estimulado de primeiro turno e 26% na espontânea. No segundo turno simulado, amplia: 46% a 38%.
Os dados foram colhidos presencialmente em 52 municípios, com 900 entrevistas, margem de 3 pontos e 95% de confiança.
Estão de pé. Mas 51% do eleitorado ainda é indeciso na espontânea. Isso não é detalhe.
É o coração da disputa. Hoje posso declarar que João tem posição. Raquel tem permissão. A diferença entre os dois candidatos não está só nos percentuais de intenção de voto. Está no tipo de capital político que cada um carrega neste momento. João Campos ocupa a dianteira, o campo mais cobiçado das intenções e também o mais perigoso.
Quando a pesquisa pergunta que tipo de governador o eleitor quer, 47% respondem que querem um aliado de Lula.
E 47% do mesmo eleitorado já identifica João como esse candidato. Esse encaixe é raro: significa que ele não depende só de recall pessoal, mas representa um desejo estruturado do eleitorado. É o ativo mais difícil de construir numa corrida eleitoral e construção de imagem política.
O problema de João está em outro ponto. Trinta por cento do eleitorado quer um governador independente e 31% querem mudar tudo, ou seja um novo. Se João não expandir sua narrativa para além do campo petista-lulista, consolida a base, mas encontra teto entre quem rejeita alinhamento nacional como critério de voto estadual. Ele pode simplesmente estagnar, o que parece estar acontecendo devido as não mudanças bruscas e quedas ocorridas nas aferições desde 2025 até o momento atual. Raquel Lyra carrega um paradoxo que a pesquisa registra com clareza.
Ela tem 62% de aprovação de governo. Tem 57% dizendo que ela merece se reeleger. E tem 34% de intenção de voto estimulada no primeiro turno.
Existe um gap de quase 30 pontos entre aprovação e voto. Isso não é sinal de fraqueza. É conversão represada.A evolução temporal no critério de merecimento é reveladora.
Em fevereiro de 2025, 52% diziam que ela não merecia se reeleger. Em agosto, 54%. Em abril de 2026, caiu para 36%. Em pouco mais de um ano, Raquel reverteu maioria negativa e passou a ter maioria positiva. Esse movimento é raro e indica que a governança foi bem avaliada ao longo do tempo. A deficiência dela é a mesma: aprovação alta não vira voto por conta própria. O eleitor pode reconhecer que ela governou bem e ainda assim escolher outra opção, movido por simpatia, vínculo afetivo ou senso de futuro. Sem campanha ativa de conversão, esse capital permanece passivo e pode construir ilusão eleitoral. A pesquisa não diz diretamente, mas entrega alguns dados importantes.
Quando 36% querem “mudar apenas o que não está bom” e outros 29% querem “continuar o trabalho que vem sendo feito”, significa que 65% do eleitorado estão abertos à tese de continuidade com ajuste.
Esse é o campo natural de Raquel. E ela ainda não está dominando esse campo na intenção de voto. Existe uma distância entre discurso disponível e voto convertido que só a campanha vai fechar, ou não. Outro ponto que o cruzamento de dados sugere: o voto lulista em Pernambuco é volumoso, mas não está com voto fechado. Com 47% desejando um governador aliado de Lula e 41% ainda sem saber quem seria esse candidato no estado, existe uma fatia importante que sabe o que quer politicamente, mas ainda não decidiu quem é o portador desse projeto. João tem vantagem clara nessa percepção, mas não domínio absoluto. A faixa dos 35 a 59 anos representa 46% do eleitorado da amostra e é o grupo decisor desta eleição. É nela que estão os eleitores mais propensos a votar por gestão e resultados concretos.
Quem capturar esse segmento com mais consistência terá a eleição nas mãos. Nossa Análise preditiva Se a eleição fosse hoje, João Campos venceria com folga. Mas a eleição não é hoje. Só em Outubro. O cenário mais provável, com os dados disponíveis, é um segundo turno disputado. Raquel tem material suficiente para crescer entre os indecisos se souber traduzir aprovação em proposta de futuro. João tem estrutura para fechar no primeiro turno se consolidar o campo lulista e capturar parte dos independentes moderados.O risco de João é a acomodação. Líderes confortáveis tendem a errar no timing da campanha e no tom.
O risco de Raquel é insistir numa narrativa defensiva de legado do governo sem dizer o que vai mudar para o futuro. O eleitor que quer “mudar só o que não está bom” precisa saber exatamente o que ela muda. Esta pesquisa retrata uma eleição de possibilidades abertas. João tem preferência eleitoral. Raquel tem permissão eleitoral. Os 51% indecisos da espontânea são o campo de batalha real. Quem souber traduzir esse eleitorado em voto vai governar Pernambuco nos próximos quatro anos. E essa resposta a pesquisa, por ora, ainda não tem como dar certeza, mas já conseguimos visualizar um horizonte de possibilidades: quem errar menos, vence.
Artigo de Análise do Estrategista Político- Rafael Ataide | GuruPolitico
Fonte: Pesquisa Genial/Quaest, Pernambuco, abril de 2026. Registro TSE: PE-08904/2026. 900 entrevistas presenciais, margem de erro de 3 pontos percentuais, nível de confiança de 95%.


