Mais uma vez, a conquista do ouro negro altera a geopolítica mundial. Como na invasão do Iraque, a questão é eminentemente econômica. A falta de união dos povos Árabes facilita essa incursão bélica de Israel e Estados Unidos da América do Norte no Oriente Médio. O resultado é o genocídio dos palestinos, bombardeio do Líbano e a destruição da vida de milhares de pessoas.
Não há uma motivação religiosa nessa guerra contra o Irã. Existe apenas o interesse pelo petróleo iraniano, e a manutenção da hegemonia nuclear americana e seus aliados. Os americanos querem fazer do Irã uma Venezuela no Oriente Médio. Derrubar o governo dos Ayatolás e, colocar um títere que facilite seus negócios. E Israel se livrar da ameaça de ser um alvo permanente do Irã e seu programa nuclear. Juntos são militarmente superiores. Mas os iranianos possuem outras armas, alvos e meios de se defenderem, e já estão colocando em prática, ao mexerem com a economia mundial. Nos anos 70, foi a criação da OPEP. Hoje será a circulação dos navios petroleiros e o ataque generalizado contra bases militares americanas e de seus aliados.
O Oriente Médio vai pegar fogo, mas os invasores não destruirão o legado da revolução de 1979. Os iranianos não vão permitir que o país se torne uma colônia americana, governado por um novo títere pró Ocidente. No pior cenário, depois da guerra, o que podem fazer é o que deixaram para trás o caos do Iraque, do Afeganistão e, da Líbia. Essa é a obra civilizatória do Ocidente Judaico-cristão e branco.
Michel Zaidan Filho é cientista político.


