Entre 29 de junho e 3 de julho, Recife será a sede da 12ª edição do mutirão de cirurgias realizado pela Sociedade Brasileira de Hérnia e Parede Abdominal (SBH) – projeto pensado para levar dignidade a centenas de pacientes que aguardam pela realização do procedimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) – e por consequência, reduzir as filas.
Cirurgiões de todo o país se voluntariam para participar do mutirão, que no Recife será realizado no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), na Santa Casa de Misericórdia do Recife, e no Real Hospital Português (RHP) – unidade com o auxílio da cirurgia robótica. Mas, em articulação com a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), outros hospitais da rede estadual na Região Metropolitana (RMR) também devem aderir à iniciativa durante um dos dias da semana programada.
Um dos médicos que fará parte do mutirão e que atua diretamente para que ele ocorra com excelência é o cirurgião especialista em hérnias abdominais Pedro Gonzaga, coordenador de Cirurgia da Santa Casa do Recife. Ele explica como a hérnia abdominal afeta o corpo humano.
“A hérnia é uma doença benigna com característica maligna. Tanto na frente da barriga quanto na virilha, o ideal é que haja um músculo sadio, íntegro. Quando a gente tem um buraco nessa musculatura, o conteúdo que está dentro da nossa barriga vai para fora”, pontua. Com isso, a protuberância provoca uma série de danos ao indivíduo – seja do ponto de vista físico ou psicológico.
Os tipos de hérnia abdominal são classificados de acordo com a localização no corpo, em regiões como umbigo (umbilical) e virilha (inguinal). Dados da própria Sociedade Brasileira de Hérnia (SBH) apontam que aproximadamente 25% da população adulta no país conviva com algum dos tipos – cerca de 28 milhões de pessoas. Muitas delas acabam passando por inúmeras dificuldades e burocracias para conseguir a reparação do tecido.
O mutirão em números
Em 12 edições, 1.200 cirurgias já foram realizadas durante o mutirão em nove estados. Somente no Recife, a estimativa da SBH é de que 1 mil pessoas aguardam na fila do SUS pelo procedimento. E além das intervenções cirúrgicas, que só são possíveis a partir do voluntariado e da doação – desde os profissionais até os materiais -, a iniciativa permitirá uma troca de informações entre os médicos de outros estados com os que atuam em Pernambuco.
No sábado anterior à semana de cirurgias, 27 de junho, um simpósio reunirá os especialistas, residentes e estudantes gratuitamente, no Hospital Português, para o momento pedagógico. O cirurgião Pedro Gonzaga diz que o impacto da iniciativa é direto para a população.
“Ele treina cirurgiões locais, ensina técnicas diferentes, e acaba que isso beneficia a população. Ela é a que tem o maior benefício. Faz toda a diferença no final quando a gente vê a quantidade de pessoas atendidas. Eu acho que isso não tem preço. É a marca maior do mutirão”, declarou.
Participação
À medida em que a equipe coordenadora do mutirão recebe a lista de pacientes das redes de saúde, uma triagem é realizada para delimitar a quantidade de pessoas aptas. O contato para informar se a pessoa foi contemplada é feito diretamente pela secretaria de saúde.
Em 2025, nos mutirões realizados em Porto Velho (RO), Montes Claros (MG) e Volta Redonda (RJ), 145 pessoas foram operadas. No Recife, a expectativa é de que, após o mutirão, a quantidade de pacientes cirurgiados suba com as raízes deixadas pela iniciativa.


