Não se pode pensar em democracia sem a participação popular e consequentemente as manifestações em que predominantemente se tem a presença de jovens. Recepcionada pela atual Carta Política brasileira, adolescentes com idades entre 16 e 17 anos, caso desejem, poderão participar diretamente das eleições, não como candidatos, mas como eleitores.
Embora o Brasil esteja vivendo um cenário onde muito se fala sobre questões políticas, parece-nos que mesmo assim, o tema não tem conseguido atrair o eleitorado mais jovem. Para tanto, observe-se o declínio do alistamento eleitoral por parte dos adolescentes. No ano de 2022, segundo os dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) apontam que cerca de 2,5 milhões de jovens entre 16 e 17 anos, requereram seu título de eleitor. Por outro lado, em 2026, dados registram que entre 1,44 milhão e 1,6 milhão de jovens com 16 e 17 anos, respectivamente, poderiam ter se cadastrado para votar nas eleições do ano em curso. Representando 27,6% de adolescentes, ficando abaixo dos percentuais dos anos de 2014 (33,7%), 2018 (31%) e 2022 (41,2%).
O quadro de apatia e, por que não dizer de indiferença da parte dos jovens em querer participar diretamente das eleições, pode se concluir que seja fruto da falta de esperança. Algo extremamente lamentável, para quem está começando a viver.
Hely Ferreira é cientista político.


