Reportagem – Lucas Arruda
A governadora Raquel Lyra (PSD) se pronunciou, nesta quinta-feira (21), em defesa do trecho pernambucano da Transnordestina, entre Salgueiro, no Sertão, e o Porto de Suape. Na última sexta (15), o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que o Ministério dos Transportes e a Infra S.A se abstenham de fazer novos compromissos financeiros para retomada da construção da ferrovia enquanto não for comprovada a viabilidade econômica do empreendimento.
Raquel disse não ter dúvidas de que, assim que a obra começar, haverá procura de parceiros privados. “A dúvida que o Tribunal de Contas da União (TCU) tem foi trazida por um estudo da McKinsey – que eu não tive acesso até agora, diga-se de passagem -, dizendo que não tinha viabilidade econômica fazer o braço para Suape. Mas, na verdade, essa não é uma obra que trata da viabilidade econômica de uma empresa”, declarou.
A retomada Transnordestina em Pernambuco será conduzida pela empresa Alberto Couto Alves Ltda (ACA), que venceu a licitação aberta pelo governo federal no ano passado por R$ 312,8 milhões. Ela fica responsável por, inicialmente, fazer estudos executivos e a implantação da infraestrutura do trecho de 73 km entre Custódia e Arcoverde. Somente após essa etapa ocorre a colocação dos trilhos.
Assinatura do contrato
A previsão era de que a assinatura do contrato ocorresse na última terça-feira (19), em Brasília, no entanto, a pedido do presidente Lula, a agenda foi adiada. Nesta quinta (21), durante evento para autorização do início das obras da Barragem Engenho Pereira, no Palácio do Campo das Princesas, a governadora Raquel Lyra (PSD) adiantou que a oficialização pode acontecer já na próxima semana.
Todo o trecho pernambucano da Transnordestina, com cerca de 540 quilômetros, está com as obras paradas há mais de 10 anos. Em 2022, a concessionária Transnordestina Logística S.A (TLSA) devolveu formalmente ao Governo Federal, focando na ligação entre o porto seco de Eliseu Martins, no Piauí, e o Porto de Pecém, no Ceará. Há época, apenas 179 km da ferrovia estavam concluídos.
Sudene
Em reunião no Ministério dos Transportes, nesta quarta-feira (20), a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) entregou uma nota técnica com os dados sobre o custo-benefício do trecho ferroviário Salgueiro – Suape, em Pernambuco.
Segundo a Sudene, o documento fornece elementos necessários para suprir a deficiência de motivação técnica quanto à decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de suspender novos compromissos financeiros para a obra.
O TCU condiciona a continuidade dos investimentos à apresentação de estudos atualizados de viabilidade técnica, econômica e ambiental para o trecho entre Salgueiro e o Porto de Suape.


