A Polícia Civil de Pernambuco realizou mais uma etapa da Operação de Repressão Qualificada (ORQ) “Forja II”, coordenada pelo Grupo de Operações Especiais (GOE), sob a liderança do delegado Jorge Pinto. A ofensiva teve objetivo de desarticular um esquema de comércio clandestino de armas de fogo em Serra Talhada e em outras cidades do Sertão pernambucano.
As investigações começaram em março de 2025, inicialmente voltadas à apuração de um homicídio ocorrido na região. Durante o avanço das diligências, os policiais identificaram a existência de uma organização criminosa especializada na compra e revenda ilegal de armas, munições e acessórios. O grupo utilizava registros de CACs (Colecionadores, Atiradores e Caçadores), além do apoio de servidores públicos que facilitavam a aquisição legal dos armamentos.
De acordo com a Polícia Civil, os materiais bélicos eram comprados oficialmente junto a fabricantes e estabelecimentos autorizados, mas posteriormente desviados para o mercado clandestino, chegando até integrantes de facções criminosas atuantes na região.
Segundo o delegado Jorge Pinto, o esquema utilizava intermediários para ocultar os verdadeiros compradores das armas.
A operação foi dividida em duas etapas. Na primeira fase, realizada em janeiro deste ano, foram executados 11 mandados de busca e apreensão, que resultaram em três prisões em flagrante e no afastamento temporário de servidores públicos investigados.
Nesta nova etapa, os agentes cumpriram dois mandados de busca domiciliar e conseguiram na Justiça a suspensão das atividades econômicas de um clube de tiro da cidade. Conforme as investigações, o estabelecimento estaria sendo utilizado para facilitar o desvio de armas e munições para o comércio ilegal.
Apesar de atuar legalmente há cerca de cinco anos, o volume de movimentações chamou atenção das autoridades. A polícia suspeita que o local servia como ponto estratégico para o fornecimento de armamentos a pessoas ligadas ao crime organizado.
Durante as ações desta quarta-feira, foram apreendidas 57 armas de fogo. Somadas às apreensões da primeira fase, a operação já contabiliza 66 armas recolhidas e quase quatro mil munições retiradas de circulação.
A corporação informou ainda que três servidores públicos estão entre os investigados. Eles são suspeitos de utilizar os cargos para facilitar a compra e a revenda de armas por valores acima dos praticados no mercado legal. Os nomes não foram divulgados devido ao segredo de Justiça.
Os suspeitos poderão responder por crimes como organização criminosa, comércio ilegal de armas, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.


