Silêncio que Adoece: o desafio de resgatar tarefas simples e manter o otimismo diante do câncer de boca

No segundo episódio da série de reportagens da CBN Recife alerta sobre o impacto da doença no cotidiano e importância de uma rede multidisciplinar na reabilitação do paciente
Episódio 2 – Silêncio que Adoece – Maria Luna
CBN Recife
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Beber um copo de água. Mastigar um pedaço de pão. Conversar com a família. Tarefas simples, que realizamos de forma automática no nosso cotidiano, tornam-se desafios para quem está no tratamento de um câncer de boca. Mais do que lutar contra as estatísticas da doença, os pacientes travam uma batalha diária para recuperar a própria identidade.

Um incômodo na prótese dentária seguido de uma lesão na gengiva fez com que Sérgio Lima, de 50 anos, procurasse um consultório dentário para entender a causa frequente da dor. Apesar do impacto inicial, a realidade do diagnóstico fez com que ele entendesse a gravidade do tumor, uma consciência que ele tenta transmitir a um amigo próximo. “Nunca é bom receber um diagnóstico desse. Você pensa na família, pensa nos filhos, pensa na mãe. Lógico que a gente começa a agir para solucionar, o foco é resolver, não dá tempo de estar se lamentando não, porque o foco é resolver, [mas] aí vai deixando pra frente, achando que vai ficar bom do nada né, e não, o câncer não fica bom do nada, tem que ter tratamento e acompanhamento. Inclusive, estou com um amigo meu que ele não aceita que tá com câncer de boca, já tá visível e chegou nesse estágio de não ter outra coisa a fazer, a não ser a cirurgia, por conta da resistência”, destaca.

A retirada de partes da língua, da gengiva ou até de ossos da face é, em alguns casos, o único caminho para salvar a vida do paciente. Por conta dessa complexidade, o tratamento não termina quando o paciente sai do centro cirúrgico. A cirurgiã de cabeça e pescoço do Hospital de Câncer de Pernambuco, Luciana Arcoverde, argumenta que o suporte de uma equipe multiprofissional é indispensável nesse cenário. “A gente tem ainda a equipe multiprofissional, que é fundamental para essa reabilitação desses pacientes. Então, no Hospital de Câncer a gente vai ter ainda a fonoaudióloga, vai ter a nutricionista, vai ter psicólogo, a gente tem toda essa equipe multiprofissional que possa, em conjunto, fazer todo esse trabalho com esse paciente para promover a cura e a reabilitação”, garante.

Hoje, Sérgio aguarda para fazer a cirurgia no Hospital de Câncer de Pernambuco. Sua postura positiva diante do tratamento se reflete na mensagem de conscientização que faz questão de deixar: “O que dá muito desestímulo para fazer o tratamento são pessoas que chegam perto de você para dizer que “ah, você não vai conseguir marcar”, “demora”, só sabe reclamar do SUS, reclama de todo mundo. Mas não faz nada para melhorar a sua situação, para melhorar o seu tratamento. Eu costumo dizer que o SUS do Brasil é o melhor do mundo. Você resolve tudo. A gente precisa se cuidar mais, se cuidar mais para prevenir o problema de saúde”, afirma.

O acolhimento e a rapidez no atendimento fazem toda a diferença entre a cura e a sequela permanente. Mas como funciona a engrenagem do Sistema Único de Saúde em Pernambuco para acolher quem precisa de socorro imediato? No terceiro e último episódio da série Silêncio que Adoece, vamos entender o caminho percorrido pelos pacientes e as soluções que a ciência propõe para mudar essa realidade.

Com edição de Daniele Monteiro e sonorização de Lucas Barbosa, reportagem Maria Luna.

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