Após 11 anos, monitoramento de tubarões na costa de Pernambuco será retomado pela UFRPE

O projeto da UFRPE foi selecionado na 19ª rodada do edital Ciência no Governo - Programa Cientista Arretado
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A Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) retomará, até julho, o monitoramento das espécies de tubarão na costa do estado. 11 anos depois da interrupção do rastreamento pelo governo estadual, a medida também ocorre após dois ataques terem sido registrados no Grande Recife em pouco mais de 24h. As vítimas, de 11 e 19 anos, permanecem internadas no Hospital da Restauração (HR), na região central da capital pernambucana.

O projeto da UFRPE foi selecionado na 19ª rodada do edital Ciência no Governo – Programa Cientista Arretado, com investimento superior a R$ 1 milhão em dois anos. O trecho contemplado pela pesquisa tem 33 quilômetros, e vai da Praia do Farol, em Olinda, até a Praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho. Atualmente, o monitoramento ocorre apenas no arquipélago de Fernando de Noronha. 

O trabalho será coordenado pelo engenheiro de pesca e doutor em Oceanografia Biológica, o professor Paulo Vasconcelos de Oliveira, que explicou à reportagem da CBN Recife como se dará o rastreamento. “Ainda vivos, esses animais serão capturados e embarcados para receberem um protocolo de pesquisa. A partir daí, serão identificados e medidos. Também terão o sangue e um pedaço de tecido coletados para um trabalho de genética, e vão receber um transmissor. Então, esse animal será devolvido ao mar, mais afastado da costa, para que a gente consiga fazer o monitoramento”, detalhou.

Na água, equipamentos serão capazes de captar informações emitidas pelo transmissor incorporado ao tubarão, com foco nas espécies tigre e cabeça-chata. Os pesquisadores poderão compreender desde os padrões de deslocamento das espécies até o comportamento. As informações produzidas devem servir de base para elaboração de políticas públicas de prevenção a novos incidentes.

“Nós vamos ter condição de ver por onde esse animal nada. O tubarão cabeça-chata, por exemplo, está mais presente na nossa região no inverno ou no verão? Os tubarões tigre se aproximam mais da costa, isso tem a ver com padrões de chuva? São todas essas lacunas que poderão ser respondidas e preenchidas”, completou o professor Paulo Vasconcelos.

Em 36 anos, desde o início da série histórica, em 1992, Pernambuco contabiliza 84 ataques – sendo quatro somente em 2026. Do total, 70 ocorreram no Grande Recife e 14 em Fernando de Noronha.

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