Lula realiza reunião ministerial nesta quarta (3) em meio a ameaças tarifárias dos EUA

Inicialmente convocada para alinhar a equipe antes das restrições eleitorais de 2026, a reunião deve ser marcada pela crise diplomática e econômica com os EUA.

O presidente Lula realiza na manhã desta quarta-feira (3), a segunda reunião ministerial neste ano, dessa vez após as mudanças dos ministros em 18 pastas, no atual contexto de pressão após ameaças dos Estados Unidos, que podem aplicar novas sobretaxas às exportações brasileiras. Somadas podem chegar a 37,5%. Além de outra polêmica recente decisão de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) em organizações terroristas.

O objetivo inicial da reunião era alinhar a equipe antes do início das restrições para a campanha eleitoral de 2026, mas a reunião deve ser dominada pela nova crise diplomática e econômica com os Estados Unidos. Ao justificar o novo tarifaço, o governo de Donald Trump alega que o Brasil adota práticas comerciais desleais, e questionam desde o uso do Pix até falhas no combate ao desmatamento e a mais recente ao trabalho forçado.

O Palácio do Planalto divulgou nota com tom de indignação e acusou a família Bolsonaro de interferência contra o país, citando a recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington.

A ofensiva americana virou o centro de um bate-boca político.

Na terça-feira (2) em Goiás, Lula cobrou explicações de Trump e chamou os filhos do ex-presidente Bolsonaro de “traidores da pátria” ao mencionar que eles são piores que o pai.

O senador Flávio Bolsonaro rebateu as críticas. E disse que vai acionar o Supremo Tribunal Federal contra Lula pelas declarações que segundo ele, configuram ameaça e incitação ao crime, por Lula ter dito que o senador deveria ter o mesmo destino que “Joaquim Silvério dos Reis”, o delator de Tiradentes.

Lula disse que Trump deve uma reunião a ele para saber o que aconteceu na ausência deles, uma vez que haviam combinado o prazo de um mês para negociar o tarifaço após o encontro dos dois no mês passado.

Já Flávio Bolsonaro divulgou uma carta que enviou ao Secretário de Estado americano, Marco Rubio. No documento, o senador afirma ter pedido expressamente para que o governo dos Estados Unidos poupe o Brasil de novas taxas.

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