Ícone da cultura popular de Pernambuco, Mestre Biloco morre aos 82 anos em Goiana

Artista era o único ainda a utilizar o apito para dar início às rodas de ciranda, preservando uma prática tradicional ligada às origens do ritmo

Severino Luiz de França, conhecido como Mestre Biloco, faleceu aos 83 anos na manhã deste sábado (11). Reconhecido como um dos grandes nomes da cultura popular pernambucana, o músico morreu em sua residência, em Goiana, na Zona da Mata Norte do estado. Até o momento, a causa da morte não foi divulgada, assim como informações sobre o velório e o sepultamento.

Natural do Sertão de Pernambuco, Severino se mudou ainda bebê para Goiana, onde construiu toda a sua trajetória artística. Foi na cidade que iniciou sua relação com a música ainda na infância. Em 1971, fundou a Ciranda dos Cangaceiros, grupo que se consolidou como a ciranda em atividade mais antiga do estado, com mais de 50 anos de história. O nome do grupo foi inspirado na admiração pelo cangaceiro Lampião, refletida nos trajes e acessórios utilizados pelos integrantes.

De acordo com o Inventário Nacional de Referências Culturais da Ciranda, elaborado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Mestre Biloco era o único ainda a utilizar o apito para dar início às rodas de ciranda, preservando uma prática tradicional ligada às origens desse ritmo.

Além da ciranda, o artista também teve atuação marcante em outras manifestações culturais. Foi mestre de maracatu de baque solto no grupo Leão do Fortaleza e regeu orquestras de frevo, participando ativamente de celebrações típicas ao longo do ano, como festas de Carnaval, São João, Natal e eventos religiosos.

Viúvo, Mestre Biloco deixa sete filhos. Em nota, a Prefeitura de Goiana manifestou pesar pela perda, destacando que o município se despede de um grande mestre, mas mantém viva a memória de alguém que transformou a arte em instrumento de vida e formação cultural para diversas gerações em Goiana e em todo o estado.

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